Você me ajuda? Ou Reflexões sobre o Replanejamento…

Dois dias reunidos na escola pensando sobre quais seriam os passos corretos que daríamos para desempenhar ao máximo nosso papel como educador me fez construir uma reflexão sobre a eficácia do meu trabalho enquanto docente.

Para tanto trago nessa reflexão meus 13 anos de experiência na docência da rede pública, somada as leituras realizadas ao longo da minha formação profissional. Buscando me apoiar em um referencial bibliográfico, lembrei-me do educador francês Philippe Meireu e de sua obra, Carta a um jovem professor, publicado no Brasil pela Artmed em 2005.

No seu texto, em especial, no capítulo 4, titulado “Queremos ser eficazes, mas não em qualquer condições”, P. Meirieu evidencia que o processo de aprendizagem do aluno passa necessariamente por uma verdadeira operação mental e não por uma aquisição de reflexo condicionado, sustentado e escorado em regras prontas que o aluno não consegue compreender.

Tal afirmação apresentada pelo autor, me obriga a realizar uma inferência no tocante a minha prática docente. Até sei elaborar uma sequencia de aprendizagem, uma situação-problema, um problema-aberto ou uma auto-socioconstrução de saberes. Mas meu questionamento vai além, a minha dúvida é como meus alunos poderiam apropriar-se do conhecimento que eles necessitam para suas vidas cotidianas?

Partindo desse pressuposto e tentando ser eficaz em minhas aulas, em minha produção, em meus números, fiquei aqui também a pensar nos “riscos da didática a qualquer preço”. Segundo P. Meirieu, existe um perigo na busca obstinada pela racionalização das aprendizagens. “Algo como uma necessidade de apoderar-se do espírito do outro e de dirigí-lo em tempo real.”

Pensando nisso, acredito ser possível repensar minha prática docente e a tal eficácia do meu trabalho. Gostaria de me importar com algo que vai além de indicativo/indicadores de êxitos escolares. Que tal um outro olhar, um outro prisma? Que tal calcular a prática da cidadania entre meus alunos? Que tal conseguir avaliar suas capacidades de argumentações quando são injustiçados? Ou mesmo que tal avalia-los quando os encontro nas ruas e falam como pessoas e não como alunos?

Buscando essa situação, talvez realmente seja necessário repensar o sistema avaliativo da nossa escola… Quem sabe encontraríamos mecanismos para mensurar a busca da verdade, o pensamento crítico, a referência a história e a cultura, o cuidado com a precisão e a perfeição e o acesso a autonomia dos nossos alunos?

Talvez pensar a escola diferente seja uma postura utópica ou a crença em uma  grande epopéia. Mas, por outro lado, acredito que todos damos o nosso melhor dentro da escola, porém não podemos continuar e nos manter alheios às imposições que ainda se faz, cada vez mais presente, no âmbito educacional dos famigerados modelos liberais de ensino. Devemos continuar o nosso projeto de ensinar!!!! Esse foi um primeiro passo… Você me ajuda?

Prof. Fabio Augusto de Oliveira Santos

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