Proposta de aula: Para a turma do quinto semestre de História!

Música e cultura popular nas décadas de 1930-40

Autor Leila Floresta imagem do usuário

UBERLANDIA – MG Universidade Federal de Uberlândia

Co-autor(es)

Aléxia Pádua Franco, Leide Divina Alvarenga

Estrutura Curricular

Modalidade / Nível de Ensino
Componente Curricular
Tema

Ensino Médio
História
Cultura

Educação de Jovens e Adultos – 2º ciclo
História
Cidadania e cultura contemporânea

Ensino Fundamental Final
História
Cidadania e cultura no mundo contemporâneo

Dados da Aula
O que o aluno poderá aprender com esta aula

-Analisar a produção musical popular na Era Vargas.

-Refletir sobre as pressões exercidas pelo Estado, por meio da censura discográfica, para a veiculação da produção musical popular pelo rádio.

– Analisar o incentivo do Estado à criação de musicalidades nacionalistas e patrióticas.

Duração das atividades

04 aulas – 200 minutos

Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno

– Informações em torno de gêneros musicais populares: samba, maxixe, lundu, modinha, samba-canção, samba-exaltação, marchinha, bolero, seresta, chorinho;

– Os conceitos de erudito e popular;

– Aspectos relacionados à história do rádio nas décadas de 1930-40;

– A atuação do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado Novo,- neste período.

Estratégias e recursos da aula

Atividades Propostas:

1- Montagem simulada de uma estação de rádio de 1940 e palestra.

Nesta atividade, os alunos serão estimulados a familiarizarem-se com o ambiente musical das décadas de 1930-40, a chamada “Era de Ouro” do rádio. Para tanto, sugere-se que os mesmos tragam para a sala de aula gravações musicais deste período, em CD´s, fitas-cassete ou discos, fotografias, capas de discos de vinil, cópias de recortes de revistas antigas, aparelhos de rádios antigos, vitrolas, microfones e roupas antigas, a fim de simular um auditório de rádio daquele período. A partir desta montagem, as músicas serão reproduzidas a fim de que os alunos possam diferenciar gêneros musicais, tais como: samba, bolero, chorinho, marchinha, seresta, maxixe, entre outros. Na segunda parte da atividade, será convidado um palestrante que tenha experiência no assunto, tais como: ex-locutores, ex-músicos, ex-cantores de rádio, ex-técnicos de rádio, ou mesmo parentes dos alunos que tenham histórias para contar sobre os anos dourados do rádio no Brasil.

Recursos da aula:

Cópias de recortes de revistas antigas, discos antigos, aparelhos de rádio, letras de músicas impressas, aparelho toca-discos, CD e fita-cassete, vestuário antigo.

Sites para consulta e pesquisa:

História do Rádio, Gravações, Trajetórias de Músicos e cantores do Rádio: http://www.collectors.com.br/

História da Rádio Nacional: http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1dio_Nacional_Rio_de_Janeiro

Imagens de capas da Revista do Rádio: http://www.google.com.br/images?hl=pt-BR&rlz=1T4SKPB_pt-BRBR283BR292&q=revista+do+radio&um=1&ie=UTF-8&source=univ&ei=_hdYTPXYIImNuAfN9LDJCg&sa=X&oi=image_result_group&ct=title&resnum=5&ved=0CDsQsAQwBA&biw=1257&bih=547

Revista do Rádio – História – Reproduções da Revista: http://www.eradoradio.com.br/main_revistas.htm

Revista do Rádio – História – blogdarevistadoradio.blogspot.com/

Aparelhos de rádio antigos: imagens: www.radioantigo.com.br/

Roteiro da entrevista com o convidado:

– Nome, profissão, idade ( optativo).

– Como foi a sua experiência junto ao rádio ?

– Qual era a importância do rádio naquele período ?

– De que forma as pessoas participaram do desenvolvimento do rádio ?

– Quais eram os gêneros musicais mais ouvidos? Qual você preferia ? Por que?

– Quais personagens desta época marcaram a sua vida? Por que ?

2- Análise de trechos de documentos de época, audição e análise de músicas:

  O objetivo desta atividade é colocar os alunos em contato com a linguagem musical da época e interpretar as contradições entre o discurso nacionalista do governo Vargas e a veiculação e sucesso de gêneros musicais populares nas estações de rádio. Para tanto, a sala será dividida em grupos de até 4 alunos, sendo cada grupo responsável pela análise de um documento. As músicas poderão ser baixadas da Internet no site:     http://sonora.terra.com.br/#/home

2.1) O samba na ótica do Estado Novo: In: Revista Cultura Política – Departamento de Imprensa e Propaganda, 1941.   

“Nos dias que correm, é a música que reage contra o negro. (…) O sensualismo das gentes dos morros torna-se latente por trezentos dias. Nos meses, porém, de janeiro e fevereiro, vem para as ruas, e samba, e grita, e canta, e gesticula, e saracoteia, e ginga, num rodopiar, rodar, dansar, sapatear, entre a transpiração dos corpos, o cheiro ativo dos lança perfumes e o desbotar das serpentinas e confetti. (…) Enquanto não dominarmos esse ímpeto bárbaro, é inútil e prejudicial combatermos no ‘brodcasting’ o samba, o maxixe, a marchinha, e os demais ritmos selvagens da música popular. Seria contrariarmos as tendências e o gosto do povo. (…) A resolução está na elevação do nível artístico e intelectual das massas”. (…) A marchinha, o samba, o maxixe, a embolada, o frevo, precisam, unicamente, de escola. (…) O canto nas escolas e a importância que a música vem tendo, por força do radio, hão de confirmar as nossas esperanças. Os programas de calouros de nossas emissoras estarão, por certo, fadados a um importante lugar na arte do canto se lhes der o DIP orientação severa e bem controlada”.

SALGADO, Álvaro. “Radiodifusão, fator social”, in: REVISTA CULTURA POLÍTICA, nº 6, ago/1941, pp. 85-6.    

Roteiro de Análise: 1-  Identifique e encontre o significado de palavras ou expressões desconhecidas. 2-  Quem fez o texto? 3- Qual a época da produção do documento? 4- Qual é o assunto do documento? A quem ou a que se refere? 5- A quem é dirigido o discurso? 6- De que forma são retratados os sujeitos citados pelo autor? 7- Qual a visão que o autor  apresenta sobre a música popular? 8- Qual o papel que o autor defende para o rádio e a escola nesse contexto ?        

2.2) O rádio e o samba enquanto identidade da cultura popular no Brasil:    

Música: FEITIO DE ORAÇÃO  Compositores: Noel Rosa e Vadico Intérprete: Sílvio Caldas Ano da Gravação:1933 Gênero: samba-canção                                                  

“Quem acha vive se perdendo/ Por isso agora eu vou me defendendo/ Da dor tão cruel desta saudade/ Que, por infelicidade,/ Meu pobre peito invade /Batuque é um privilégio/ Ninguém aprende samba no colégio/ Sambar é chorar de alegria/ É sorrir de nostalgia/ Dentro da melodia/ Por isso agora/ lá na Penha Vou mandar/ minha morena Pra cantar/ com satisfação/ E com harmonia/ Esta triste melodia/ Que é meu samba/ em feito de oração/ O samba/ na realidade/ não vem do morro/ Nem lá da cidade/ E quem suportar uma paixão/ Sentirá que o samba então/ Nasce do coração.”                                                       

Música: AS CANTORAS DO RÁDIO  Compositores: Lamartine Babo/ João de Barro/ Alberto Ribeiro/André Ribeiro Ano da Gravação: 1936 – Gravadora Odeon.   Gênero: Marchinha Intérpretes:Rosita Gonzales, Nora Nei, Carmélia Alves, Violeta Cavalcante, Ellen de Lima e Zezé Gonzaga. CD “As Eternas Cantoras do Rádio”. Grav. ADDAF/Mangione. 1991.

  “Nós somos as cantoras do rádio/ Levamos a vida a cantar/ De noite embalamos teu sono /De manhã nós vamos te acordar. /  Nós somos as cantoras do rádio/ Nossas canções cruzando o espaço azul/ Vão reunindo, /num grande abraço/ Corações de norte a sul /  Canto! Pelos espaços afora/ Vou semeando cantigas/ Dando alegria a quem chora/ Canto! /Pois sei que a minha canção/ Vai dissipar a tristeza/ Que mora no teu coração. /  Canto!/ Para te ver mais contente/ Pois a ventura dos outros/ É alegria da gente./ Canto! /E sou feliz só assim /E agora peço que cantem /Um pouquinho para mim.    

2.3) A marchinha e o samba enquanto exaltação da identidade nacional:   

Música: “Quem é o tal” Compositores: Ubirajara Nesdan e Afonso Teixeira Intérprete: João Tetra de Barros Ano da gravação: 1942   

“Quem é que usa cabelinho na testa /e um bigodinho que parece mosca ? /Só cumprimenta levantando o braço/ Ê, ê, ê, ê, palhaço. (bis) ***/ Quem é que tem o G que representa a glória/ Quem tem o V que ficará na história/ com seu sorriso que nos dá prazer/ Ê, ê, ê, ê, vitória !”   

Música: “Desperta” Compositor: Grande Otelo;  Intérprete: Linda Batista; Ano da Gravação: 1943   

“ Ora viva a minha terra/ e o meu auriverde pendão…! (bis)/ Desperta, Brasil !/ Raiou teu alvorecer /Desperta, Brasil!/ Queremos lutar,/ queremos vencer/ Pequenina eu sei que sou/ mas sou brasileira também/ Desperta, meu Brasil ! /Você não pode perder para ninguém/ todos temos uma só bandeira/ Temos todos um só coração/ Mas, ora viva minha terra/ que tanta beleza encerra/ e o meu auriverde pendão !”    

Roteiro de Análise das músicas: A- Letras: – Quais opiniões o compositor pretende demonstrar? – Quais figuras de linguagem ( símbolos, metáforas) ele utiliza? – Como são retratados os sujeitos que aparecem na música? – Quais seriam os tipos de ouvintes que a música pretende atingir ? – Relacione a música ao contexto histórico em que foi gravada.   B-Melodias: – Caracterize o gênero musical. – Identifique o ritmo, arranjos musicais, instrumentos, acompanhamentos e efeitos sonoros.

3- Troca de documentos entre os grupos e debate:

Após a análise do documento e músicas pelos grupos, os mesmos serão trocados a fim de que um mesmo documento/música seja analisado por 2 grupos diferentes. Em seguida, no formato de círculo, os grupos apresentarão as suas interpretações sobre os documentos/músicas.

4- Simulação/Dramatização do auditório da Rádio Nacional, em 1940.

Nesta atividade, após a preparação e montagem do ambiente do auditório realizada na atividade 1, os alunos irão simular e dramatizar a realização de um programa de auditório da Rádio Nacional de 1940. Os alunos dividirão os papéis de apresentadores, produtores, contra-regra, músicos, cantores (as) e platéia. O trabalho poderá ser realizado de forma interdisciplinar com as áreas de Artes Plásticas, Teatro, Música e Língua Portuguesa. O programa poderá ser filmado a fim de divulgar o trabalho junto à escola. Poderão ser convidados pais e parentes mais idosos dos alunos para assistirem à apresentação. Ao final de todo o trabalho de pesquisa, poderá ser criado um blog na Internet para intercâmbio e divulgação do projeto, bem como buscar junto a direção e professores da escola, recursos e apoio logístico para a montagem de uma estação de rádio comunitária na escola, dirigida pelos próprios alunos.

POSSIBILIDADES INTERPRETATIVAS:

O ideal de brasilidade pretendido pelo Estado Novo passava pelo combate a gêneros musicais populares que incentivavam a malandragem, tratados como “selvagens”, como o samba e o maxixe, a fim de que se desenvolvesse o verdadeiro “espírito nacional” pela música. Estas críticas e ações foram observadas em publicações de propaganda do Estado Novo, como a Revista Cultura Política, na produção de manifestações públicas com a presença de grandes conjuntos de orquestras e corais de crianças, com a introdução do ensino de música nas escolas públicas, coordenado pelo músico e maestro Villa-Lobos, com a normatização dos desfiles de Escolas de Samba e pelo incentivo oficial aos músicos para que compusessem letras patrióticas e cívicas, mesmo que conservassem nas melodias tais gêneros populares. Como desdobramentos destas ações de censura e produção musical, os gêneros musicais populares, sobretudo o samba, ganharam adaptações de exaltação ao Brasil, ao lado da predominância de uma programação de sambas de breque, sambas de “partido alto”, sambas-canções, marchinhas, serestas, baiões e músicas sertanejas.

Abordagem Interdisciplinar dos Conceitos: – O professor de História, em conjunto com os professores de Sociologia,  Filosofia, Língua Portuguesa, Artes e Música, poderá discutir os conceitos de:  música erudita e música popular, além de reconhecerem as identidades e diferenças entre os gêneros musicais populares, os costumes e vestimentas do período estudado.

Recursos Complementares

Vídeo: – Mini-Série de TV : Dalva e Herivelto. Rede Globo, 2009. Relata a trajetória de vida e a carreira artística de Dalva de Oliveira ( cantora) e Herivelto Martins (cantor e compositor), os desajustes amorosos, o sucesso e a decadência de ambos, trazendo como pano de fundo o ambiente boêmio da Lapa no Rio de Janeiro das décadas de 1940-50 e 60.

Sites importantes com Acervos Fotográficos, Documentos e Gravações de Músicas e Depoimentos de época:   

*Arquivo Estadual de São Paulo: WWW.arquivoestado.sp.gov.br

*CPDOC – FGV – RJ- Centro de Pesquisa em Documentação de História Contemporânea do Brasil – Fundação Getúlio Vargas: WWW.cpdoc.fgv.br

*Museu da Imagem e do Som – RJ- WWW.mis.rj.gov.br

*Arquivo Nacional – RJ – WWW.arquivonacional.gov.br

Livros:

– TINHORÃO, José Ramos.História social da música popular brasileira. São Paulo: Editora 34, 1998.

– LENHARO, Alcir. Cantores do rádio: a trajetória de Nora Ney e Jorge Goulart e o meio artístico de seu tempo. Campinas/ UNICAMP, 1995.

Avaliação

A Avaliação poderá ser feita na forma de exposição oral, em que o aluno apresentará os seus conhecimentos sobre o assunto e os resultados das atividades propostas. A apresentação do programa de rádio poderá ser avaliada a partir da participação coletiva dos alunos e no envolvimento individual na montagem das atividades, nas quais poderão ser apreendidos a capacidade de reconhecimento de gêneros musicais do período estudado, o questionamento em torno da utilização da musicalidade popular pelo Estado Novo e a percepção da música radiofônica como suporte de identidades, hábitos e linguagens urbanas populares.

Extraído de:http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=20430

Pós-graduação em Educação Especial na FEOCRUZ – Professor Fabio ministra aulas!

EDUCAÇÃO ESPECIAL
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
(aos sábados)

MÓDULOS / DISCIPLINAS
C/H
MÓDULO I – FORMAÇÃO BÁSICA NA EDUCAÇAO ESPECIAL

01

Fundamentos e Práticas Pedagógicas da Educação Especial e da Inclusão

24

02

Disfunções: Tipologia, Problemas de Aprendizagem e Cuidados

16

03

Teoria e Prática de Ensino na Educação Especial: Deficiência Física

16

04

Teoria e Prática de Ensino na Educação Especial: Deficiência Visual

24

05

Teoria e Prática de Ensino na Educação Especial: Deficiência Auditiva

16

06

Teoria e Prática de Ensino na Educação Especial: Altas Habilidades

16

07 Teoria e Prática de Ensino na Educação Especial: Condutas Típicas

16

08 Introdução aos Estudos da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS)

24

SUBTOTAL (Módulo I) 152
MÓDULO II – DESENVOLVIMENTO ACADÊMICO

01

Didática do Ensino Superior

16

02

Fundamentos da Organização da Escola Brasileira

16

03

Metodologia da Pesquisa Científica

16

04

Apresentação dos Trabalhos de Conclusão de Curso

08

SUBTOTAL (Módulo II) 56
MÓDULO III – DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

01

História e Políticas da Educação da Pessoa com Deficiência Intelectual no Brasil

32

02

Fundamentos da Deficiência Intelectual

40

03

Direitos Humanos e Aspectos Jurídicos da Pessoa com Deficiência Intelectual

16

04 Diagnóstico da Pessoa com Deficiência Intelectual, Acompanhamento e Estudo de Casos

24

05 Psicologia do Desenvolvimento Humano e Deficiência Intelectual

24

06 A Inclusão do Deficiente Intelectual na Educação Básica

40

07 Teoria e Prática de Ensino na Educação Especial: Deficiência Intelectual

80

08 Avaliação na Educação Especial: Deficiência Intelectual

24

09 Deficiência Intelectual e Ações Pedagógicas: Atividades Lúdicas

24

SUBTOTAL (Módulo III) 304
TOTAL (Módulo I + Módulo II + Módulo III) C/H 512
Estágio Supervisionado em Deficiência Intelectual 100
TOTAL DE CARGA HORÁRIA EM SALA + ESTÁGIO 612
Orientação – Trabalho de Conclusão de Curso 40
TOTAL GERAL 652

VALOR DA MATRÍCULA: R$ 110,00
VALOR DA MENSALIDADE: R$ 260,00 (23 PARCELAS – 5º dia útil de cada mês)

CONDIÇÃO PARA MATRÍCULAS – FUNCIONÁRIOS DAS APAES, REDES MUNICIPAIS E ESTADUAL DE EDUCAÇÃO:
20% DE BOLSA NAS MENSALIDADES – VALOR DAS MENSALIDADES COM A BOLSA = R$ 208,00

Se você tem interesse no curso, faça contato com a FEOCRUZ! www.feocruz.edu.br

PÓS NA FAI – FACULDADES ADAMANTINENSES INTEGRADAS – COMUNICAÇÃO E CIBERCULTURA – Prof. Fabio irá ministrar aulas!


» Objetivos Gerais

  • Impactos da convergência da mídia e da cibercultura na sociedade;
  • Mudanças dos padrões da mídia como resultado da convergência de forças tecnológicas que operaram a modificação da informação num cenário pós-industrial;
  • Reflexão interdisciplinar das ciências da Comunicação e da Educação na compreensão da cultura comunicacional tecnológica como instrumentação técnica para a construção de conteúdos nas sociedades mediáticas pós-industriais.

» Objetivos Específicos

  • Compreender a especificidade da cultura tecnológica e midiática e a sua inter-relação com a educação;
  • Produzir projetos na área da educação que busquem mapear como a cibercultura vem sendo “traduzida” em métodos e práticas de ensino e aprendizagem formais e informais regionais;
  • Refletir sobre as teorias da cibercultura nas sociedades contemporâneas;
  • Elaboração de projetos históricos que busquem comparar impactos das mídias tradicionais x novas mídias.

»   Público Alvo

Diplomados em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Relações Públicas), Ciências
Diplomados em Comunicação Social (Publicidade e Propaganda, Jornalismo e Relações Públicas), Ciências Sociais, Educação (Pedagogia e Letras) e História.

»   Dados Gerais

Duração:
12 meses (aulas aos sábados)

Carga Horária:
380 horas/aula

Investimento:
12 x R$ 250,00 (sem taxa de matrícula)

Início do Curso:
12 de Abril de 2011

Organização:
Núcleo de Prática de Pesquisa da FAI.

Telefone:
(18) 3502-7080

Coordenador:
Prof. Dr. Paulo Sérgio da Silva

E-mail:
paulosergio@fai.com.br

» Metodologia da Pesquisa Cientifica em Comunicação e Cibercultura;
» Comunicação, Tecnologia, Sociedade e Meios Digitais;
» Narrativas Textuais e Hipermídia;
» Comunicação Digital e Utilização Organizacional;
» Planejamento da Comunicação em Redes Sociais;
» Introdução à Cibercultura;
» Cibercultura e Educação;
» Educação e Socialização;
» Fundamentos Teóricos em Educação à Distância;
» Didática do Ensino Superior.

  • ROBERTO REIS DE OLIVEIRADoutor Área de comunicação, com ênfase em teoria e Sociologia da Comunicação; pesquisas em mídia regional e local. Docente na área da Comunicação Social.
  • PAULO SÉRGIO DA SILVADoutor em Ciência Política pela USP, mestrado em Ciências Sociais pela UFSCar. Estudos da agenda-setting e análise midiática de eleições. Docente nos cursos de Administração, Serviço Social, Comunicação Social, Economia e Direito.
  • OLYMPIO CORREA DE MENDONÇADoutor pela USP. Docente na área da Língua Portuguesa/Lingüística.  Escritor de Livros Didáticos/pedagógicos. Educação.
  • SÉRGIO CARLOS FRANCISCO BARBOSAMestre Jornalismo, Comunicação e Marketing. Ciências da Religião (História e Teologia). Propaganda e Assessoria de Imprensa. Pesquisador da Cátedra Unesco/ Metodista de Comunicação. Docente nos cursos de Jornalismo, Administração e História.
  • RODRIGO DANIEL SANCHESMestre Publicidade, Propaganda, Marketing e Semiótica da cultura midiática. Pesquisador na área da Mídia Digital. Assessoria de Comunicação e Marketing.
  • IEDA CRISTINA BORGESMestre Área da comunicação, mídia impressa e digital, comunicação empresarial, jornal laboratório e assessoria de comunicação. Docente nas áreas da Comunicação Social e Desenho Industrial.
  • ANTÔNIO CARLOS HADDADMestre Cineasta e Docente na área da Comunicação Social.
  • FABIO AUGUSTO DE OLIVEIRA SANTOS Mestre Docente no curso de História (graduação) e ensino fundamental e médio. Pesquisador na área de História da Cultura.

Subject: PÓS NA FAI “COMUNICAÇÃO E CIBERCULTURA”

GARANTA JÁ SUA VAGA

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO NA FAI

“COMUNICAÇÃO E CIBERCULTURA”

INSCRIÇÃO ON LINE:

http://www.fai.com.br/portal/pos/comu_ciber/inscricao.php

Duração: 12 meses (aulas aos sábados)

Carga Horária: 380 horas/aula

Investimento: 12 x R$ 250,00 (sem taxa de matrícula)

Início do Curso: 12 de Abril de 2011

Organização: Núcleo de Prática de Pesquisa da FAI.

Telefone: (18) 3502-7080

Coordenador: Prof. Dr. Paulo Sérgio da Silva

Pós-graduação em Psicopedagogia na FEOCRUZ – Professor Fabio ministra aulas!

PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E CLÍNICA
(aos sábados)

MÓDULOS / DISCIPLINAS
C/H
MÓDULO I

01

Fundamentos da psicopedagogia institucional

24

02

Fundamentos da intervenção psicopedagógica institucional

24

03

Psicologia do desenvolvimento da criança e inclusão

24

04

A psicopedagogia e a aprendizagem da matemática

16

05

Dificuldades de aprendizagem e a avaliação psicopedagógica institucional

24

06

Didática voltada ao ensino da criança

24

SUBTOTAL (Módulo I) 136
MÓDULO II

01

Fundamentos da psicopedagogia clínica

24

02

Fundamentos da intervenção psicopedagógica clínica

24

03

Neurobiologia da aprendizagem

16

04

Psicomotricidade

16

05

Ética e políticas públicas em saúde e educação

24

06

Psicopatologia e as dificuldades de aprendizagem

24

07

Distúrbios da linguagem, leitura e escrita

24

SUBTOTAL (Módulo II) 152
MÓDULO III

01

Didática do Ensino Superior

24

02

Fundamentos da Organização da Escola Brasileira

24

03

Metodologia da Pesquisa Científica

24

SUBTOTAL (Módulo III) 72
TOTAL (Módulo I + Módulo II + Módulo III) C/H 360
Estágio Supervisionado – Área Institucional 50
Estágio Supervisionado – Área Clínica 50
Orientação – Trabalho de Conclusão de Curso 40
TOTAL GERAL 500

Matrícula = R$ 110,00
Mensalidades = 18 parcelas de R$ 260,00
Início das aulas = Março de 2011 –
Aulas aos Sábados

Se você tem interesse no curso, faça contato com a FEOCRUZ! www.feocruz.edu.br

Textos para os alunos do curso de História da FAI – Quinto Semestre

Queridos alunos, não consegui acessar o portal da Fai ontem e nem hoje, sendo assim baixe os arquivos pelo Google Docs:

Texto: Indígenas e criollos no processo de independência:

https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0B4JOxsz6BNTOM2RkNmYwNzUtNzhmZi00NGJkLWExMmUtY2UyNzA5M2Q2MWZj&hl=pt_BR

 

Texto: As mulheres e as guerras de independência na América Latina

https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=explorer&chrome=true&srcid=0B4JOxsz6BNTOYWI2YTJhZGYtZWViNC00ZTU3LWI1NmUtMWE0MGFhZTc1Y2Zh&hl=pt_BR

História, estrutura e sujeito.

 

Para a historiadora norte-americana Natalie Ann Zemon Davis, a história nasce de uma conversa entre o historiador e os agentes históricos, outros eruditos e os consumidores da história.

Neste sentido, um bom historiador seria aquele que possui uma vocação para ouvir os sujeitos responsáveis por vivenciar a história.
Segundo Holien Gonçalves Bezerra, a história só pode ser concebida como resultado de sujeitos históricos, percebida através da trama traçada pelas relações sociais no tempo, envolvendo as ações dos indivíduos, a construção de identidades pessoais e coletivas, além de estruturas.
O sujeito histórico não estaria presente nas ações individuais, mas, ao contrário, estaria configurado a partir das inter-relações complexas, duradouras e contraditórias entre as identidades sociais e as pessoais.
Em outras palavras, todos nós seriamos construtores da história, simultaneamente, sujeitos da e na história, embora nossas ações só possam ser consideradas relevantes à medida que integradas a uma conjuntura mais ampla.
Assim, a história não seria apenas resultado da ação de figuras de destaque, consagradas pelos interesses explicativos de grupos ou ideologias.

Antes, seria uma construção, consciente ou inconsciente, paulatina e imperceptível de agentes sociais que constituem os sujeitos que pertencem às estruturas.

Entretanto, nem sempre os indivíduos comuns foram vistos como sujeitos históricos.

Na realidade esta abordagem é relativamente recente.

Ao longo da maior parte da história da humanidade somente os heróis, os reis e as pessoas notáveis tiveram status de agentes efetivos da historicidade, sendo merecedores de uma posição na história.
O inicio da percepção das pessoas comuns, como sujeitos históricos, foi acompanhado de intensas discussões acerca de seu lugar no entendimento da história, envolvendo, inclusive, debates sobre o papel do historiador na construção da narrativa, também ele um agente histórico.
Neste sentido, a consciência de que, além do tempo e espaço, o conhecimento histórico carece do entendimento das estruturas, foi o primeiro passa para a incorporação do debate em torno dos sujeitos na história, uma discussão, em certa medida, iniciada pela Escola de Annales.
Annales e o estudo das Estruturas.
Febvre inaugurou a moderna concepção de análise das estruturas na histórica, relatando as relações entre o meio físico e a sociedade, tidos como elementos necessários para estudar as macro-problemáticas.

A partir de então, os historiadores, independente da corrente teórica ou orientação metodológica, em geral, passaram a utilizar a técnica de análise baseada na diacronia-sincronia, assim como a periodização e, por vezes, a quantificação, visando entender o funcionamento das estruturas.
Menos usual, a partir do estimulo da revolução tecnológica representada pela invenção do computador, foi possível estabelecer relações complexas, usando a estatística para chegar a conclusões palpáveis.
Dentro deste âmbito, ainda antes do computador, representado a segunda geração de Annales, Fernand Braudel revolucionou o conhecimento histórico, unindo pressupostos da história e geografia em 1949.
Ele demonstrou como era possível decompor as estruturas em temporalidades desdobradas: o tempo individual, o tempo social e o tempo geográfico.
No tempo individual estaria fixada a história não do homem como coletividade, mas do homem como individuo, com variações rápidas e dinâmicas, permitindo ao historiador observar os acontecimentos.
Exatamente o tipo de abordagem em que estaria concentrada a maior parte da historiografia, sendo o tempo da curta duração, de tudo que muda com muita rapidez, por isto, mais facilmente percebido.
O tempo social seria o plano pelo qual se pode observar a história social dos grupos e agrupamentos, pertencendo a uma história lentamente ritmada, circunscrita ao crescimento demográfico e da economia, elementos pertencentes a longa duração.

Seria, portanto, o tempo das estruturas que mudam com muita lentidão, fazendo quem a vivencia não se dar conta destas mudanças, neste sentido, assemelhando-se mais ao que, depois, convencionou-se chamar de média duração.
O tempo geográfico representaria uma história quase imóvel, que observa o relacionamento do homem com o meio que o rodeia.
Uma história que passa lentamente e sofre poucas transformações.
As regiões montanhosas e a população que lá habita, fornecem um bom exemplo desta temporalidade, mostrando o quanto, nesta dimensão, os costumes, ligados aos aspectos geográficos, pouco mudam, já que o ambiente que os rodeia também não muda, o que Braudel chamou de longuissima duração.
Para ele, os historiadores concentravam sua atenção apenas nos processos da curta duração, deixando de lado as outras temporalidades, oferecendo apenas um vislumbre da história, sem conseguir chegar a nenhuma elucidação.
O que envolvia, portanto, deixar também as espacialidades geográficas em segundo plano.
Para atingir o objetivo de ler o passado partindo do presente, seria necessário realizar macroabordagens, penetrando as três temporalidades, adentrando de fato as espacialidades geográficas e suas especificidades, dando conta, por exemplo, tanto das questões regionais como dos espaços mais amplos.
Somente assim seria possível tornar a escrita da história uma verdadeira ferramenta para desvendar o passado, clareando a noite como um vaga-lume.

Pouco depois das concepções braudelianas ganharem terreno entre os historiadores, os estudos de Claude Lévi-Strauss sobre a mitologia ameríndia, publicados entre 1964 e 1971, a partir do conceito de oposição binária, atraíram nomes como Jacques Le Goff e Emmanuel Le Roy Ladurie.
Estes historiadores incorporaram a abordagem estruturalista, descobrindo que ela resistia à apropriação pela história.
Tentaram combinar as estruturas com os eventos, examinando biografias e a vida cotidiana para entender valores, atitudes, crenças e comportamentos populares.
Traçaram narrativas que buscavam elucidar a história a luz dos sujeitos que vivenciaram os fatos, procurando fugir dos conceitos pré-concebidos pela cultura erudita.
Entretanto, esta postura tecnicista de tentativa de leitura imparcial do passado não passa de uma falácia.

Como ressaltou Keith Jenkins, é fato que nenhum historiador consegue recuperar a totalidade dos acontecimentos passados.

O conteúdo desses acontecimentos é ilimitado, tornando possível somente relatar uma fração do que já aconteceu.

Ao passo que o historiador, na construção de uma narrativa inteligível, nunca consegue relatar exatamente o que aconteceu.
O que nos conduz a discussão acerca do papel desempenhado pelo historiador na construção de uma memória seletiva, repleta de vínculos com a imaginação, levantando inúmeras questões, dentre as quais: a própria inviabilidade de uma história que represente a memória integral do passado.
Os sujeitos da história e a produção das fontes.
Desde a antiguidade, o conceito de história, em si, sempre conduziu a visão da participação do homem enquanto ser ativo que produz o passado ao viver o presente.

A história humana só existe porque é produzida por sujeitos que a vivenciaram, deixando vestígios que puderam chegar ao presente, fontes interpretadas pelos historiadores para o entendimento, ao mesmo tempo, daquilo que foi e do agora.
No entanto, a influencia das ações humanas sobre o passado e sua vinculação com a produção de fontes só passou a ser evidenciada a partir do século XIX, quando a história iniciou sua busca pela cientificidade, procurando a legitimação da ciência para a construção de seu discurso.
A Escola Metódica de Leopold Von Ranke forjou um conceito de história, vinculado com a produção da verdade, através do método crítico, onde, segundo José Carlos Reis, o sujeito não se anula, apenas se esconde, se autocontrola; é produtor da história, mas deve permanecer nas sombras.
Marx adotou uma postura diferente, para ele, o sujeito deveria assumir sua subjetividade.
A verdade, não sendo universal, mas pertencendo a um grupo social, conduz a um conhecimento histórico produzido objetivamente, parcial e relativo; o sujeito é produtor ativo da história, embora inserido na massa, o que anula suas ações individuais.
Ao inverso, em Foucault, a verdade é uma construção de um sujeito particular e expressa relações de poder.

Essas relações criam linguagens e saberes para legitimarem as ações coletivas, dirigidas pelas individualidades que moldam os contextos.
O homem, para Foucault uma invenção recente, é sujeito da história, mas é também modelado por normas ou regularidades das quais não têm consciência, tendo suas ações individuais restringidas pelas relações de poder na sociedade.
O que conduz ao conceito de geração de Dilthey, trata-se de pensar a historicidade como sendo compartilhada. O tempo histórico representaria a permanência e seqüência de gerações, deixando sinais, marcas, que são buscadas pelo historiador.
No contexto do século XIX, Dilthey apontou o caminho da história, da vida, tornando o apreender o mundo dos homens através do estudo das suas experiências no passado uma missão da história, unindo filosofia e historicidade.
Embora seja difícil enquadrá-lo em algum rótulo, Dilthey estaria entre um historicismo romântico e um epistemológico por buscar compreender o homem enquanto ser histórico, compreender a alteridade e todos os aspectos da vida de um povo.
Para ele, a história é mudança e o que permanece é compreensão, a comunicação entre homens diferentes, sendo o homem definido pela experiência vivida e a verdade, resultando em sua transformação em sujeito ativo do processo histórico.

Enquanto Kant acreditava que o mundo da experiência seria efetivamente modelado pela mente.

Para Dilthey os valores, emoções, idéias e atos derivam do modo particular dos indivíduos em determinados contextos sociohistóricos, sendo influenciados pelas idéias que os rodeiam e presos aos limites de uma época, subordinando a história à vida como ela é vivida.
O sujeito não é um espectador que observa o mundo, mas agente da ação e reação.
As experiências particulares, integradas ao conceito de geração, influem nas concepções coletivas.
Portanto, nas palavras de Dilthey, a compreensão da história permite a redescoberta do “eu” no “tu”, através da interpretação das fontes produzidas pelos sujeitos históricos, autores da ação e ao mesmo tempo objetos da história.
Sujeitos objetos da história.
O homem é a convivência no tempo, seu passado, presente e futuro, neste sentido, não é apenas agente histórico, mas também sujeito na história, à medida que, ao mesmo tempo em que faz e participa das ações sociais individuais e coletivas, ele é o que fez, portanto, sujeito e objeto da história.
Somos todos seres no mundo, produtores e produtos do conhecimento e das relações sociais, objetos de análise da história.
O que equivale a dizer que o sujeito tem sua missão universal inscrita na sua condição objetiva, pois sendo sujeito da é também sujeito na história, centro da epistemologia histórica.

A vida real em que o sujeito se insere, nas relações, é afetada pelo outro, fazendo com que o sujeito que pergunta, replique e responda, tornado os indivíduos objetos.

Em certa medida, foi Copérnico que colocou o homem no centro dos acontecimentos.
Ao substituir o geocentrismo pelo heliocentrismo, demonstrando que a terra não era o centro do universo, mas apenas mais um astro dentre inúmeros outros, gravitando em torno do sol, também apenas uma estrela dentre muitas outras, iniciou uma revolução na mentalidade.
Deslocou a atenção de Deus para o homem, abrindo caminho, inclusive, para o humanismo renascentista.
Entretanto, como aconteceu no caso dos indivíduos enquanto sujeitos históricos, inicialmente, apenas os ilustres foram tratados como objetos da história, situação que se manteve inalterada até o século XIX.
Justamente quando o positivismo e a escola metódica forjaram a concepção cientificista da história, optando por buscar, em documentos oficiais, uma narrativa dos fatos políticos e da vida das grandes personalidades.
As idéias desenvolvidas por Karl Marx e Friedrich Engels, no final do século XIX, terminaram alterando este panorama.

A massa proletária, vista como agente histórico ativo, paradoxalmente, passou a objeto de análise para o entendimento da história.
A busca do ideal revolucionário, simultaneamente, tornou o proletário um instrumento para alcançar a revolução e um objeto de estudo para entendê-la.
O paradoxo foi intensamente estudado por Georg Lukács, o qual demonstrou que a noção de proletariado, em si, conduz ao conceito de sujeito objeto da história.
O surgimento da escola de Annales, no século XX, deu continuidade à tendência, possibilitando a leitura de uma multiplicidade de objetos, muitos dos quais, também, não considerados sujeitos anteriormente, como é o caso das mulheres, negros ou crianças.
Fomentando discussões acerca da participação do historiador, não só como agente histórico, como também sujeito na história, objeto de análise para o entendimento da construção da narrativa do passado.
O sujeito da (na) história que lê a participação dos agentes históricos.
A reboque dos debates em torno do papel das pessoas comuns na construção da história, a discussão em torno do ofício do historiador, um sujeito da história que produz à narrativa do passado e, simultaneamente, está inserido na história, tornou-se relevante.
O historiador, não sendo um individuo isento de influencias as mais diversas, fruto de seu próprio tempo, necessita de técnicas que permitam tentar alcançar a objetividade cientifica na leitura e interpretação das fontes, o que nos remete novamente para a analise das estruturas.

Poderíamos listar uma infinidade de técnicas utilizadas para ler os dados contidos nos documentos, algumas emprestadas por outras ciências, outras surgidas no seio da análise histórica.
Porem, Jean Chesneaux sintetizou as mais usuais, a despeito de confundi-las por vezes com métodos e empregar técnica e método dentro da mesma acepção.
Segundo ele, toda análise histórica, obviamente a partir do século XIX, é tecnicista, busca uma abordagem profissional, sendo reflexo e sustentáculo da ideologia capitalista.
Dentro da amplitude deste pressuposto, é habitual observar que os historiadores, independente da corrente teórica ou orientação metodológica, tentam entender as estruturas pensando que assim garantem uma imparcialidade em suas narrativas.
O historiador tenta reinterpretar a visão de mundo fornecida pelos agentes da história que produziram as fontes, penetrando as estruturas das quais fizeram parte estes sujeitos, tentando isentar-se de cometer anacronismos sob o verniz de uma pseudocientificidade.
Entretanto, como lembrou Gramsci, cabe ressaltar que a história não pode ser reduzida a um cálculo matemático, ou ainda que a estatística mostra o caminho ao cego, mas não restitui a visão.
O que torna o trabalho do historiador uma representação do passado, uma construção, dentre outras possíveis, plausível, mas não necessariamente real daquilo que foi.
O historiador e a construção da história.
Não bastasse a inexatidão da narrativa, como lembrou Eric Hobsbawm, o historiador, enquanto sujeito histórico, na sua interpretação, não se isentaria de construir uma produção, consciente ou inconsciente, utilizada para legitimar as ações do presente.

Ao optar por escolhas, recordando, voluntária ou involuntariamente, conforme uma orientação especifica, a partir de uma conjuntura social ou política, o papel do historiador na construção de uma memória oficial parece mais obvio do que das fontes que ele utilizou.
Os documentos, tomados em sentido amplo, também foram produzidos dentro de um contexto, muitas vezes, intencional, visando transmitir as gerações futuras uma imagem idealizada do passado, contribuindo para a construção de uma memória coletiva oficial que não corresponde à realidade.
A história evoca o passado, ativando recordações regidas por uma temporalidade linear, ordenando os acontecimentos de forma que as pessoas se lembrem apenas dos fatos e eventos que interessam aos grupos que estão no poder, construindo modelos de comportamento que ditam as normas do conhecer e agir.
No entanto, a enredo historiográfico, em si, termina, antes de qualquer coisa, sendo influenciado pela documentação, fazendo com que o historiador, mais do que um bom interprete do passado, deva ser um critico de seu material de trabalho.
Como clamou Walter Benjamim, é função do historiador desmontar a versão da memória oficial, ao invés de legitimar ou perpetuar.
Neste sentido, as fontes sequer expressam a memória individual de seus autores, em última instancia, nunca relatam a verdade ou a realidade, exprimem apenas um ponto de vista gerado pela imaginação e intencionalidade, não são testemunhos daquilo que aconteceu, mas do ambiente em que foram produzidas.
Concluindo.
Ao longo da história da história, a própria definição teórica do que deveria ser entendido por história sofreu alterações sensíveis, algumas mais visíveis do que outras, mas todas engajadas na discussão em torno da narrativa mais adequada do passado, da possibilidade concreta de leitura deste passado através das fontes, da natureza do trabalho do historiador, entre outros debates relevantes.

Destarte, como ressaltou Jacques Le Goff, não existe sociedade sem história, o que conduz ao conceito de historicidade, o pertencer de cada individuo ao seu tempo e espaço, os aspectos comuns que todos os homens de determinada época compartilham e dos quais ninguém pode escapar, quer sejam historiadores profissionais ou não.

A despeito da história ser considerada por alguns como distinta da memória, a verdade é que a historicidade humana não existiria sem a memória ou a recordação do passado e que o historiador é o interprete daquilo que se passou, reduzindo, em certo sentido, a liberdade individual de entendimento do presente.

A história, como afirmou Massimo Mastrogregori, expressa uma tradição de lembranças, ordenadas com o apoio de relatos e visões particularizadas, forjando uma memória coletiva que, não correspondendo exatamente como as coisas foram, na maior parte das vezes, legitima a ordem política e ideológica estabelecida e, em raras ocasiões, cumprindo aquela que deveria ser sua missão, questiona a realidade.
Assim, em grande medida, a história pretende ser uma narrativa que recorda o passado para contribuir com a memória da coletividade, mas não passa de literatura verossímil que costura a si mesma com a memória e a imaginação dos sujeitos da e na história.
Georges Duby estava certo ao afirmar que a história seria, acima de tudo, uma arte essencialmente literária, só existindo pelo discurso, justificado, obviamente, por uma exposição racional.
Para saber mais sobre o assunto.
BEARD, Charles A. “That noble dream” In: The American historical review. New York, 41 (1): out. 1935, p.74-87.
BENJAMIN, Walter. “Sobre o conceito de história” In: Obras Escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1996.
BRAUDEL, Fernand. O Mediterrâneo e o mundo mediterrânico na época de Felipe II. São Paulo: Martins Fontes, 1984.
BRAUDEL, Fernand. “The situation of history in 1950” In: On history. Chicago: University of Chicago Press, 1980.
CHESNEAUX, Jean. Devemos fazer tábua rasa do passado?: sobre a história e os historiadores. São Paulo: Ática, 1995.
DILTHEY, Wilhelm. História da filosofia. São Paulo: Helmus, 2005.
DUBY, Georges. Dialogues. Paris: Flammarion: 1980.
ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. São Paulo: Escala, s.d.
FEBVRE, Lucien. La terre et la evolution humaine, Paris: 1922.
FOULCALT, Michel. A arqueologia do saber. Lisboa: Almedina, 2003.
GRAMSCI. Écrits politiques. Tomo I. Paris: 1975.
HOBDBAWM, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.
JENKINS, Keith. A história repensada. São Paulo: Contexto, 2004.
LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Unicamp, 1994.
LUKACS, Georg. História e consciência de classe. Lisboa: Martins Fontes, 2003.
MARX, Karl. O capital. São Paulo: Centauro, 2005.
MASTROGREGORI, Massimo. A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006, p.65-93.
REIS, José Carlos. História e Teoria. Historicismo, Modernidade, Temporalidade e Verdade. Rio de Janeiro: FGV, 2006.
Texto: Prof. Dr. Fábio Pestana Ramos.

Extraído de: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2010/09/historia-estrutura-e-sujeito.html

Obs: Para baixar do Google docs clique aqui: https://docs.google.com/document/d/1X3ydmRxVUjxizsLi2qpp3WmzkAXlwrz2Nk-0sm7jvhk/edit?hl=pt_BR

Entenda a crise do Egito

http://noticias.r7.com/r7/media/2011/0126-Egito/egito_700x420.swf

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Após 18 dias de intensos e violentos protestos que tomaram diversas cidades do Egito, o ditador Hosni Mubarak, 82, renunciou ao poder depois de comandar uma ditadura com mão de ferro durante 30 anos. O anúncio foi feito pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, na TV estatal. Em poucos minutos, centenas de milhares estavam em festa e aos gritos na praça Tahrir, epicentro das manifestações de oposição.

 

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Fontes:

 http://noticias.r7.com/internacional/noticias/entenda-a-crise-no-egito-20110129.html

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/873730-apos-30-anos-no-poder-ditador-hosni-mubarak-renuncia-no-egito.shtml

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4918298-EI17594,00-Crise+no+Egito+dirigente+do+partido+do+governo+renuncia.html#tinfo