O golpe de 64 me impediu de ser professor

 

Boris Fausto, um dos mais respeitados pesquisadores da Revolução de 1930, explica por que não seguiu carreira acadêmica e fala sobre as vantagens e desvantagens de ser um historiador de domingo

por Bruno Fiuza


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Fausto: De certo modo, fiquei à margem dos circuitos acadêmicos

Memórias de um historiador de domingo. O título do segundo volume da autobiografia de Boris Fausto, lançado no fim de 2010, reflete bem a trajetória intelectual do autor. Um dos mais respeitados pesquisadores da Revolução de 1930 e do período republicano no Brasil, Fausto nunca esteve formalmente vinculado a nenhum departamento de história. Trabalhando sempre como advogado, aproveitou as brechas do cotidiano para se dedicar à sua verdadeira paixão: o estudo do passado. Foi assim que ele não só escreveu o maior clássico da historiografia brasileira sobre o movimento que levou Getúlio Vargas ao poder como sucedeu Sérgio Buarque de Holanda no posto de organizador da prestigiosa coleção História geral da civilização brasileira, cuidando dos volumes sobre o período republicano. Essa rica trajetória está registrada em seu mais novo livro, que começa com a entrada na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em 1948, passa pelos anos de militância trotskista e termina com a carreira tardia, porém brilhante, de historiador. Do alto de seus 80 anos, Boris Fausto fala sobre as vantagens e desvantagens de ser um “historiador de domingo”.
História Viva – Por que Memórias de um historiador de domingo?
Boris Fausto – Porque eu não tenho uma carreira de professor de história. Eu vivi quase toda a minha trajetória profissional como advogado. Sempre gostei do assunto, fiz curso de história e utilizei o meu tempo disponível para escrever. Só muito mais tarde, depois que eu me aposentei como advogado da USP, é que eu por dez anos dei aulas de história – aliás, no Departamento de Ciência Política. Então, é claro que eu não sou um historiador de domingo, porque se eu trabalhasse só nesse dia eu estaria muito aquém do que eu consegui realizar. Mas essa é uma fórmula que os franceses inventaram e aplicaram a gente muito mais importante do que eu.
HV – A opção por não ter ingressado em um departamento de história se deve a algum motivo em especial ou foi uma contingência da vida?
Fausto – Foi uma contingência da vida. Eu comecei como advogado em um tempo em que eu e minha família só conhecíamos três carreiras: direito, medicina e engenharia. Eu, por exclusão, fiz direito. Aí eu advoguei privadamente, depois fiz concurso público e me tornei consultor jurídico da USP. Mas sempre me interessei, do ponto de vista intelectual, muito mais pela história. Então, muito incentivado pela minha mulher, eu fiz o curso de história depois de ter advogado durante uns dez anos, e quando eu já era consultor jurídico da USP. Aí veio o golpe de 1964, que me impediu de optar pela carreira de professor, como naquela época eu pretendia. Curiosamente, no entanto, o golpe me fez um favor, porque como consultor jurídico eu fiquei melhor em termos materiais do que como professor. Daí eu só resolvi aceitar a condição de professor, de dar aulas, quando eu me aposentei do meu cargo. Eu nunca quis fazer as duas coisas juntas, mesmo depois da abertura, da democratização.

Leia reportagem completa em: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_golpe_de_64_me_impediu_de_ser_professor.html

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