Para a turma do 4º semestre de História e Geografia: Orientações

Dez elementos para quem quer ter êxito como professora ou professor[1]

A literatura sobre "formação de professores" no Brasil, na última década do século XX, insistiu na idéia de "professor reflexivo". Genericamente falando, segundo tal acepção o professor deveria, antes de tudo, ser um agente que concomitantemente exerceria a atividade do magistério e refletiria sobre sua prática, alterando-a segundo rumos apontados por tal prática. Pensando no esquema de reflexão de tal professor, podemos dizer que é possível uma organização mínima de elementos que são comuns a todo trabalho docente e que, então, poderiam ser colocados em um quadro a respeito do que o professor deve refletir em seu cotidiano.

Fornecemos aqui dez elementos para a reflexão de quem está se preparando para ser professor ou professora, ou que já está na carreira do magistério. Os elementos estão abaixo e, após eles, há um comentário normativo para cada um deles.Os elementos são:

1) o aluno;

2) a matéria a ser ensinada;

3) as técnicas didáticas que envolvem a relação ensino-aprendizagem;

4) a legislação do ensino que rege sua vida profissional na escola;

5) a arquitetura escolar;

6) a relação da escola com a comunidade que a circunda e/ou que envia estudantes para a escola;

7) a sua própria identidade como professor;

8 ) a sua filosofia da educação e, portanto, a literatura que o instrui na sua postura de professor;

9) a avaliação escolar;

10) os objetivos educacionais, os seus e os da escola.

1) O aluno: Se você é ou vai ser professora ou professor do ensino fundamental ou médio, antes de escutar qualquer professor seu falar sobre o que é um aluno ou o que é "a criança", antes mesmo de ler qualquer livro sobre infância e juventude, procure lembrar do aluno que você foi. O que lhe agradava? O que não lhe agradava na escola e em relação aos seus mestres? Se você não sabe responder a tais questões, tudo que você aprendeu para trabalhar no magistério, pouco lhe servirá.Se você não tem memória do tempo em que foi aluno, de duas uma: ou você apagou tudo da mente porque foi tudo muito ruim, e então você precisa se esforçar para lembrar, ou você é preguiçoso mentalmente, quanto à memória, e então é bom que pare de ser assim urgentemente. Faça um inventário daquilo que você não gostava e do que gostava enquanto você era aluno do ensino fundamental e médio. Procure lembrar, especialmente, do seguinte: o que, em específico, seus pais ou responsáveis cobravam de você como aluno, e o que a professora cobrava. Com esse inventário na mão, você já tem condições de começar a procurar as razões dos ódios e amores do seu futuro aluno ou do seu aluno atual. Faça isso agora. Faça isso sempre. Este é sempre seu primeiro passo.Como professora, você vai avaliar se o que gostava vale a pena repetir e se o que não gostava, de fato, vale a pena, agora, descartar. Como se vê, você precisa menos de sociologia da educação para saber sobre origem dos alunos e para saber dos gostos dos alunos. Você tem, antes de tudo, a sua memória – use-a, pois ela é quem vai lhe garantir dados para uma melhor avaliação de como lidar com seus alunos atuais.Não descuide deste detalhe: entre todas as profissões, a sua é, talvez, a que menos necessite de "estágio", pois você já "estagiou" – ninguém ficou tanto tempo no local de trabalho quanto você. Nenhum médico ficou no hospital desde criança. Nenhum engenheiro ficou em uma obra desde criança. Mas você ficou na escola durante muito tempo, e ainda está nela, portanto, um bom material de reflexão que viria de um estágio, já está em suas mãos. Não jogue fora tal experiência. Não a avalie de modo cego.

2) A matéria: A matéria a ser ensinada no ensino fundamental e médio não é só a que está nos livros didáticos – que você precisa conhecer e saber avaliar – ou a que está na programação da escola ou a que é determinada (ou sugerida) pela política educacional do governo. A matéria é algo que tem a ver com você, pessoalmente – é, principalmente, o que você gosta e o que é necessário para o aluno se sair bem socialmente sem prejudicar o conjunto social.Livro didático, lembre-se, faz parte mais de uma indústria que, não raro, não prima por um projeto pedagógico razoável e cuidadoso. Lucro rápido e fácil, como certas editoras querem, nem sempre é compatível com a produção de bons livros, pois bons livros precisam ser escritos por bons autores, que são caros. Então, não deixe somente o livro didático determinar o conteúdo de suas aulas. A matéria a ser ensinada é, antes, algo que permite a seus alunos ganhar liberdade de ação, pensamento e linguagem. Liberdade é poder optar. "Posso escolher?" – esta é a pergunta que colocamos para saber algo a respeito de liberdade. Se alguém pode escolher entre várias coisas, quando vai agir, pensar ou falar e escrever, então, é mais livre. Quem sabe inglês é mais livre do quem não sabe, pois pode escolher entre conversar com mais pessoas e conversar com menos pessoas. É difícil dizer que a liberdade não está associada à felicidade. Mas se você, enquanto estudante que vai entrar para a carreira do magistério, ou já como professora ou professor, não sabe a matéria que vai ensinar, e então possui menos liberdade do que poderia ter, esqueça da profissão de professor, pois um escravo dificilmente cria pessoas livres. Você é um escravo de sua falta de uma erudição mínima. Se você não domina as ciências, a matemática, as humanidades e a língua, pode desistir – você não vai ser professor ou professora nunca. Lembre-se: se sabe pouco, este pouco é o que você precisa realmente saber e é isto que pode dar ao seus alunos – dê o melhor.O professor é, antes de tudo, alguém que sabe a respeito da matéria; é esta que lhe dá o poder de ser "alguém que ensina". Só ensina quem sabe. Esta é a mais pura e simples verdade. O verdadeiro professor consegue escrever, de modo correto, um bom manual da matéria que ele ensina. Se não consegue fazer isso, não é professor. Não esqueça: você é o principal autor do livro didático que vai usar.

3) A técnicas: Jamais acredite que há técnicas universais capazes de servirem para todo e qualquer conteúdo a ser ensinado. Mas jamais acredite que não há um ponto comum entre os vários conteúdos, capaz de fazer todas as matérias serem ensinadas de modo semelhante. Um deles é o livro – o livro que você deve escrever! O livro que você vai fazer, registrando as técnicas que você acredita que podem funcionar e melhorar o aprendizado da matéria em questão, é a chave de seu ensino na parte didática.Testar técnicas é uma obrigação, mas nunca parar de testar é transformar seus alunos em cobaias. Você não pode ser professor se quer ter cobaias e não alunos.Além disso, lembre-se que cada técnica não tem razão de ser em si mesma. Cada técnica é uma forma de articular algum meio para atingir determinados fins. Fora disso, você estaria cultuando sua futura profissão não como professora ou professor, mas como um reduzido criador de "didatiquices".

4) A legislação: Se você vai trabalhar em uma escola, deve saber, no mínimo, as regras de convívio na escola e as LDBs. Elas regram suas atitudes. Se não concorda com elas, ou desista ou, então, lute politicamente para mudá-las. Mas não as desconheça.Ler a lei significa, antes de tudo, interpretar a lei. Há juristas e advogados exatamente porque todas as leis permitem interpretação. Portanto, faz parte do seu trabalho levar a sério a legislação do ensino. Mas, de modo algum, não venha a acreditar que tal legislação não "muda nada". Ela muda tudo, e isso vai da sua interpretação, e da luta da sua interpretação com a de outros.As leis estão na Internet, você deve começar a se mobilizar – deve navegar nos "sites" governamentais que vão regrar sua vida.

5) Arquitetura escolar: Aprenda a visualizar o prédio escolar segundo sua funcionalidade e seus defeitos, seus espaços de convívio. Veja as origens do prédio, qual política educacional que regrou aquela construção e optou por aquele formato de prédio e não outro. Aliado a este saber, verifique se os alunos são "empurrados" para fora do prédio ou se ele é suficientemente aconchegante para atrair o aluno.Quem trabalha no magistério tem o prédio escolar como "o seu lugar". Encontrar "o lugar de cada aluno" (sendo que a palavra "lugar", aqui, não é só metafórica) é uma das chaves do sucesso da profissão de professor ou professora. O prédio escolar deve permitir – e você pode ajudar isso acontecer – que tudo aquilo que as crianças precisam e gostam (lembre-se dos itens anteriores) possa se desenvolver. Se o seu prédio é limitado, aprenda a ampliá-lo ou decida-se por aprender a lutar, pelos meios políticos, para ampliá-lo funcionalmente. Não favoreça ambientes que possam criar separações entre sexos ou que isolem a quadra ou que permitam uma relação de angústia para a criança. Da árvore plantada no pátio ou na frente da escola ao laboratório aos banheiros, tudo é motivo de preocupação para o professor e a professora. Pois você vai gastar uma parte de sua vida ali. Não permita que sua vida passe em lugar ruim.

6) Escola e comunidade: Lembre-se que seus alunos estão na escola a partir de uma casa, de uma cidade, de um bairro, de uma sociedade. Tudo isso mantém a escola. A comunidade, antes de tudo, não se restringe a "associações de amigos da escola" ou a grupos que promovem festas juninas, etc. Isso tudo é necessário, sem dúvida, mas a comunidade é, antes de tudo, um som que deve ser audível por você agora e no futuro. Porque sem a comunidade a seu favor, você não necessariamente terá sua ação de professor ou professora legitimada. Sua legitimidade não vem só de seu diploma, de seu conhecimento, de sua autoridade intelectual. Vem cotidianamente da comunidade. Sua tensão em relação a alguns membros da comunidade não pode ultrapassar seu bom senso de perceber que a comunidade tem objetivos que, talvez, sejam diferentes para cada aluno. Há pais que se preocupam com os filhos em um sentido: querem que eles adquiram conhecimento, mesmo que ainda estejam em uma idade que, segundo alguns pedagogos que você leu, ainda não é hora de deixar de brincar para "aprender coisa séria" – não ouvir isso e aceitar tal fato é teimosia e falta de sensibilidade social. Por outro lado, há pais que acreditam que seus filhos precisam menos de conhecimento e mais de convívio social na escola, uma vez que fora dela as chances disso ocorrer poderiam ser poucas – não ouvir isso e aceitar é, também, teimosia. Saber conciliar essas tendências nas quais repousam os objetivos dos pais é uma arte do professor ou professora. A escola brasileira é de tradição estatal e não comunitária, diferente da escola norte-americana. Todavia, toda a literatura pedagógica sempre incentivou a escola comunitária. Essa diferença precisa ser ponderada por você. Se você despreza essa contradição criada entre o que a literatura que vem formando as professoras e professores e o que a população pede e com a qual ela se acostumou, suas energias poderão ser gastas à toa.

7) A identidade do professor: Você vai ser professora? Já é professora? Então, desde já, comece a agir como tal. Escolha seus melhores professores e professoras, e imite-os. Comportamento geral, diante de crianças, é o ponto básico do ensino. Lembre-se: seus alunos vão aprender mais de suas atitudes, gestos, opiniões, sorrisos do que, no fundo, sua matéria. Em parte, você será herói e bandido, vítima e algoz. Você não vai poder evitar: será um pouco de cada coisa, mas só terá êxito na tarefa de modificar mentes e corações – que é a tarefa do mestre – na medida em que tiver carisma, na medida em que se fizer pouco super-herói e muito mais observador e atencioso. Todavia, não queira transformar mentes e corações se você é, antes de tudo, um conservador cruel. Se é um conservador cruel, saiba disso e deixe o magistério. As crianças não precisam de você.Mas se não é um conservador cruel, então veja qual sua idade e avalie suas atitudes pessoais. Veja que uma boa parte dos professores e professoras (é ou foi seu caso?) se forma no final de sua própria adolescência, e que muito de seus sentimentos em relação às crianças ainda não será um sentimento de alguém tão experiente quanto se acha ser. Dúvidas de ordem profissional, sexual, amorosa, familiar estarão rondando a cabeça do professor ou professora jovem. Se assim é, saiba descobrir isso em você antes de fazer seus alunos sofrerem com os problemas que não são deles, mas seus. Faça um diário pessoal agora, não deixe de anotar se sabe ou não a razão pela qual você gosta de seus colegas e alunos. Tenha a coragem de se expor a quatro paredes, para seu espelho. Este auto-conhecimento é fundamental. Amplie tal conhecimento anotando os traços de personalidade que ficaram visíveis quando você conseguiu de êxito em uma aula – cultive esses traços. Mas não se culpe se ver que foi imaturo e que sua imaturidade foi percebida pelos alunos. Eles estão ali, e você saberá disso, para educar você também, pois esta é uma das formas deles se educarem.

8 ) Filosofia da Educação: Se você vai ser professora ou professor, ou se já está no magistério, você não escapa de ter a sua filosofia da educação. Você lida com a cultura: ciências, artes, literatura, etc. A filosofia da educação faz o papel de um discurso que está no interior da cultura; ela é um discurso que você deve conhecer para legitimar sua atitude pedagógica em sala de aula. Ela lhe dá poder de argumentar a respeito de sua didática e dos conteúdos de ensino que você ministra. O papel da filosofia da educação é duplo: ou ela legitima sua aula porque ela dá fundamentos para sua pedagogia, ou ela legitima sua aula porque ela dá justificativas para sua pedagogia. A pedagogia é o corpo teórico que dá as normas que você coloca na relação ensino-aprendizagem, a filosofia da educação é o conjunto dos argumentos pelos quais você busca ou fundamentar ou justificar, o que você faz, para seus pares, os outros professores, para a comunidade e, de certo modo, para os alunos. Você vai melhorar sua fundamentação ou justificação a partir da literatura pedagógica que você lê. Se sua literatura pedagógica é fraca, você será um professor fraco do ponto de vista filosófico. Talvez confiem pouco em você. Se confiarem pouco em você, porque você não consegue argumentar bem a respeito do que faz, seu trabalho não se desenvolverá de maneira segura.Aqui, você pode aprofundar o assunto vendo: Ghiraldelli Jr., P. Filosofia e história da educação brasileira. São Paulo: Manole, 2003 (em especial: p. 233).

9) Avaliação escolar: Esqueça de uma vez por todas o medo que você teve ou tem de provas, exames, testes e correções. Não há avaliação verdadeira sem isso. Não veja todos os tipos de avaliação baseadas em testes que proporcionam "ranking" algo "massacrante", que não consegue mensurar o conhecimento do aluno. Calma! Tente ver que cada tipo de avaliação serve para verificar se alcançou ou não determinados objetivos.A chamada "avaliação processual" serve para você manter o aluno engajado nos estudos de modo a não desanimar, e serve para o professor avaliar o aluno ainda no decorrer da relação-ensino aprendizagem, e não exclusivamente no fim de uma etapa. Todavia, a "avaliação processual" deve servir para avaliar o próprio mestre. Cada nota atribuída a um aluno deve ter, em contrapartida, também exposta num quadro, uma nota atribuída ao professor. Há um mecanismo de proporcionalidade, que precisa se desenvolvido, para que o professor venha a receber uma nota em relação ao seu sucesso ou fracasso durante a relação ensino-aprendizagem. A "avaliação em fim de período", que é diferente da "avaliação processual", a partir de provas dissertativas e testes, é onde há a verificação das habilidades no manejo da matéria aprendida na relação ensino-aprendizagem, e serve para que a escola toda possa ver qual o rumo que ela está tomando enquanto instituição. Sem essa avaliação, não há política educacional e, portanto, sua própria profissão passa a não existir mais no panorama governamental. Sem estatística a partir dessas avaliações finais, que em geral todos acham "massacrante", todo seu trabalho pode estar sendo uma farsa para você mesmo, uma vida jogada fora.Sem as avaliações, seus alunos também não poderão saber como melhorar e não saberão como passar por outras avaliações que são feitas fora da escola.A avaliação, ao contrário do que dizem muitos pedagogos e pedagogas, não causa trauma em aluno do ensino fundamental. Ela só causa tristeza quando ela é exclusivamente punitiva. Ela é, sempre, em parte, punitiva ou é um feedback positivo, mas ela não pode se resumir a isso. Não deve se resumir a isto. Se você não consegue imaginar uma avaliação que avalie também o professor, e que em relação aos alunos não seja punitiva, então desista, você não vai saber avaliar seus alunos, sua escola, sua vida.O que avaliar? Habilidades. Você não pode se dizer professor ou professora se você apenas sabe "falar sobre educação". Muitos que fazem pós-graduação em educação apenas sabem "falar sobre educação". Não sabem fazer educação.Falar sobre educação é uma parte do seu trabalho, na qual a filosofia da educação colabora, mas, sua atividade como professora e professor, é a de fazer os alunos obterem boas performances em habilidades novas adquiridas. Você vai saber se você mesmo foi eficiente em proporcionar um melhor conhecimento da língua se, em algum tipo de mensuração, seu aluno puder ler e escrever e interpretar textos. Em parte, você mesmo, enquanto professor ou professora, deveria aperfeiçoar suas próprias habilidades básicas, para depois desenvolver habilidade no seu aluno futuro.Resumindo ao máximo: cobre em forma de apresentação prática de habilidades o que você desenvolveu na relação ensino-aprendizagem, e somente aquelas que você desenvolveu.A avaliação se faz na correlação com os objetivos escolares. Ela tem de ser capaz de mensurar, de alguma forma, se os objetivos da escola, e os de cada professor, e os da comunidade, estão sendo alcançados. Lutar contra processos avaliativos amplos, gerais, pode ser uma luta para a desvalorização do magistério. Pois são os números maiores, as grandes estatísticas que, mal ou bem, o governo possui para preparar políticas educacionais.

10) Os objetivos: Há objetivos que são os colocados em seus planos de aula. Muitos escrevem, em tais planos, que querem criar o "aluno crítico, consciente, reflexivo, feliz, participativo socialmente", um "futuro cidadão" único (uma mistura de revolucionário com santo, um filho de Tchê-Guevara com Madre Teresa de Calcutá). Se você é professor e pensa assim, você deve deixar de lado a profissão. Ou mudar de idéia. Não seja um professor que faz os planos de aula "apenas por fazer". Entenda que os objetivos educacionais que você, sua escola e seu plano de aula podem fixar devem ser, antes de tudo, objetivos mesmo, isto é, devem ser metas que se mostram com objetividade, e, de algum modo, mensuráveis no curto prazo, e mensuráveis realmente.Um aluno deve saber poder entender um filme do tipo "Rei Leão" ao final de quanto tempo? Como você mensura isso? Um aluno vai poder suportar a tensão nervosa de um filme como "Inteligência artificial"? Como você vai prepará-lo para tal, e como você vai saber sua reação e saber do seu sucesso? Ou seu aluno, ao ser avaliado, demonstra uma insensibilidade para a cultura porque você mesmo não se preparou culturalmente?Como vê, no limite, sua profissão não é complexa, é simples. Você pode complicá-la à toa. Muitos são os pedagogos e pedagogas que as complicam à toa. Nada é mais simples do que uma profissão de professor ou professora se você a toma da seguinte maneira: fixa os objetivos e, então, trabalha para que eles possam ser alcançados. Se os objetivos são modestos, você pode saber se está atingindo alguns deles e, assim, pode ter feedback imediato a respeito da sua profissão. Agora, se você para refletir sobre o que teses e mais teses de pós-graduação em educação, vindas da "cultura da pedagogia", vão lhe dizer para fazer, cuidado, você pode estar desviando sua atenção. Pois cada vez mais as teses servem apenas para alimentar a carreira do ensino superior, e não para resolver os problemas reais que você, professor ou professora, enfrentará nos momentos da aprendizagem.

Indicações de leitura:

GHIRALDELLI JÚNIOR., Paulo. Filosofia e história da educação brasileira. São Paulo: Manole, 2003.
GHIRALDELLI JÚNIOR., Paulo. O que você precisa saber em didática e teorias pedagógicas. Rio de Janeiro: DPA, 2001.
GHIRALDELLI JÚNIOR., Paulo.O que você precisa saber em filosofia da educação. Rio de Janeiro: DPA, 2001.


[1]Texto elaborado por Paulo Ghiraldelli Júnior e Francielle Maria Chies Ghiraldelli do Centro de Estudos em Filosofia Americana.

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Mensagem REJUVENESCER: Curso de Capacitação dos professores da rede pública estadual!

Velha Roupa Colorida

Baseado em Blues

Composição: Belchior

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais você falou: "She’s leaving home"
E meteu o pé na estrada "like a Rolling Stone"
Nunca mais você levou sua menina
Para correr no seu carro, loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento
Amor e flor, quede o cartaz?

No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que já não nos serve mais

Você não sente, não vê
Mas eu não posso deixar de dizer,
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
O que há algum tempo era novo, jovem
Hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Como Poe, poeta louco americano,
Eu pergunto ao passarinho: "Blackbird, o que ficou para trás?"
"Raven never raven never raven"
Blackbird me responda
O que ficou pra trás?
"Raven never raven never raven"
Assum-preto me responda
O que ficou para trás?

A diferença entre o ver e o olhar – Texto para a turma do 4º semestre de História e Geografia

A diferença entre ver e olhar é tanto uma distinção semântica que se torna importante em nossos sofisticados jogos de linguagem tomados da tarefa de compreender a condição humana – e, nela, especialmente as artes –, quanto um lugar comum de nossa experiência. Basta pensar um pouco e a diferença das palavras, uma diferença de significantes, pode revelar uma diferença em nossos gestos, ações e comportamentos. Nossa cultura visual é vasta e rica, entretanto, estamos submetidos a um mundo de imagens que muitas vezes não entendemos e, por isso, podemos dizer que vemos e não vemos, olhamos e não olhamos. O tema ver-olhar – antigo como a filosofia e a arte – torna- se cada vez mais fundamental no mundo das artes e estas o território por excelência de seu exercício. Mas se as artes nos ensinam a ver – olhar, é porque nos possibilitam camuflagens e ocultamentos. Só podemos ver quando aprendemos que algo não está à mostra e podemos sabê-lo. Portanto, para ver olhar, é preciso pensar.Ver está implicado ao sentido físico da visão. Costumamos, todavia, usar a expressão olhar para afirmar uma outra complexidade do ver. Quando chamo alguém para olhar algo espero dele uma atenção estética, demorada e contemplativa, enquanto ao esperar que alguém veja algo, a expectativa se dirige à visualização, ainda que curiosa, sem que se espere dele o aspecto contemplativo. Ver é reto, olhar é sinuoso. Ver é sintético, olhar é analítico. Ver é imediato, olhar é mediado. A imediaticidade do ver torna-o um evento objetivo. Vê-se um fantasma, mas não se olha um fantasma. Vemos televisão, enquanto olhamos uma paisagem, uma pintura. A lentidão é do olhar, a rapidez é própria ao ver. O olhar é feito de mediações próprias à temporalidade. Ele sempre se dá no tempo, mesmo que nos remeta a um além do tempo. Ver, todavia, não nos dá a medida de nenhuma temporalidade, tal o modo instantâneo com que o realizamos. Ver não nos faz pensar, ver nos choca ou nem sequer nos atinge. As mediações do olhar, por sua vez, colocam-no no registro do corpo: no olhar – ao olhar – vejo algo, mas já vitimado por tudo o que atrapalha minha atenção retirando-a da espécie sintética do ver e registrando- a num gesto analítico que me faz passear por entre estilhaços e fragmentos a compor – em algum momento – um todo. O olhar mostra que não é fácil ver e que é preciso ver, ainda que pareça impossível, pois no olhar o objeto visto aparece em seus estilhaços de ser e só com muito custo é que se recupera para ele a síntese que nos possibilita reconstruir o objeto. É como se depois de ver fosse necessário olhar, para então, novamente ver. Há, assim, uma dinâmica, um movimento – podemos dizer – um ritmo em um processo de olhar-ver. Ver e olhar se complementam, são dois movimentos do mesmo gesto que envolve sensibilidade e atenção. O olhar diz-nos que não temos o objeto e, todavia, nos dispõe no esforço de reconstituí-lo. O olhar nos faz perder o objeto que visto parecia capturado. Para que reconstituí-lo? Para realmente captura-lo. Mas essa captura que se dá no olhar é dialética: perder e reencontrar são os momentos tensos no jogo da visão. Há, entretanto, ainda outro motivo para buscar reconstruir o objeto do olhar: para não perder além do objeto, eu mesmo, que nasço, como sujeito, do objeto que contemplo – construo enquanto contemplo. Olhar é também uma questão de sobrevivência. Ver, por sua vez, nos liberta de saber e pode nos libertar de ser. Se o olhar precisa do pensamento e ver abdica dele, podemos dizer que o sujeito que olha existe, enquanto que o sujeito que vê, não necessariamente existe. Penso, logo existo: olho, logo existo. Eis uma formulação para nosso problema. Mas se não existo pelo ver, não estou implicado por ele nem à vida, nem à morte. Ver nos distancia da morte, olhar nos relaciona a ela. O saber que advém do olhar é sempre uma informação sobre a morte. A morte é a imagem. A imagem é, antes, a morte. Ver não me diz nada sobre a morte, é apenas um primeiro momento. Ver é um nascimento, é primeiro. O olhar é a ruminação do ver: sua experiência alongada no tempo e no espaço e que, por isso, nos instaura em outra consistência de ser. Por isso, nossa cultura hipervisual dirige-se ao avanço das tecnologias do ver, mas não do olhar. É natural que venhamos a desenvolver uma relação de mercadoria com os objetos visualizáveis e visíveis. O olhar implica, de sua parte, o invisível do objeto: a coisa. Ele nos lança na experiência metafísica. Desarvoranos a perspectiva, perturba-nos. Por isso o evitamos. Todavia, ainda que a mediação implicada no olhar faça dele um acontecimento esparso, pois o olhar exige que se passeie na imagem e esse passear na imagem traça a correspondência ao que não é visto, é o olhar que nos devolve ao objeto – mas não nos devolve o objeto – não sem antes dar-nos sua presença angustiada. O olhar está, em se tratando do uso filosófico do conceito, ligado à contemplação, termo que usamos para traduzir a expressão Theorein, o ato do pensamento de teor contemplativo, ou seja, o pensar que se dá no gesto primeiro da atenção às coisas até a visão das idéias tal como se vê na filosofia platônica. Paul Valéry disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver. Dirá Lacan: ver é perder. Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo. O que se mostra só se mostra por que não o vemos. Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver. Uma obra de arte não nos deixa ver. Ela nos faz pensar. Então, olhamos para ela e vemos.

Márcia Tiburi – filósofa

Curiosidades históricas – Bombas nucleares

Sobre "1945-1998", de Isao Hashimoto

"Este trabalho é uma vista aérea da história, escalando para baixo comprimento mês de tempo em um segundo. Nenhuma carta é usada para a igualdade de mensagens para todos os espectadores, sem barreiras linguísticas. A luz piscando, o som e os números sobre o mundo Mostrar o mapa quando, onde e quantas experiências de cada país têm realizado. Criei este trabalho para o meio de uma interface para as pessoas que ainda não conhecem a extremamente grave, mas o problema atual do mundo. "

Parte II

Extraído de: http://www.facebook.com/video/video.php?v=98758561101 

PS. Agradeço ao ex-aluno Leonardo pela contribuição!!!