Texto sobre avaliação para a turma 5º termo de História – Disciplina: Prática de ensino V

Avaliação – termômetro da educação
Gilda Lück

“O homem hoje tem de processar informações de um modo muito diferente do de ontem. Nossos mestres gostariam que compreendêssemos o que nos ensinam nos mínimos detalhes, mas a sobrecarga é muito grande. A quantidade de informações é excessiva. O segredo é portanto “escanearmos” o que realmente importa. E a escolha desse conteúdo e sua aplicação em benefício de um crescimento individual e coletivo que diferencia o sábio do prepotente” Tony Schwartz.

Ao examinarmos contextos como este e outros semelhantes, chegamos a conclusão que o “canal tecnológico ” de aprender mudou muito. Pertencemos a uma geração que aprendeu a ler o mundo através do uso de livros e materiais impressos. Já a geração atual utiliza de todo um instrumental tecnológico como o computador, vídeos, televisão e instrumentos de ultima geração nas áreas científicas para compreender e assimilar o mundo nos rodeia. Os canais usados para o ato de aprender são outros, portanto os canais para o ato de avaliar também devem ser outros.

A história da avaliação se mistura a história de nossa colonização Cipriano Luckesi em conferência proferida na Universidade Estadual de Pernambuco (1995) traz a tona que ” a avaliação como sinônimo de provas e exames ” é uma herança que data de 1599, trazida ao Brasil pelos jesuítas. Ainda ressalta que Commenius, em seu livro Didactica Magna, 1632 já apresenta a técnica das perguntas e do medo para prender a atenção dos alunos ressaltando que o erro deveria ser motivo de “vitupério”. Já John Dewey, Maria Montessori, e nosso Anísio Teixeira propagam o educar para a autonomia e crescimento eliminando a prova como se apresentava. William Glasser, falando a educadores em Brasília (1995) ressalta a interligação existente entre o fracasso, a desistência e a permanência em uma zona de conforto onde o aluno não se expõem, mas também não fracassa. Jussara Hoffmann apresenta a ambivalência de comportamento na professora do primeiro e segundo ciclo do fundamental, que enquanto se mostra de um lado afetuosa, alegre, atenciosa com o aluno, exerce o autoritarismo agressivo ao rabiscar de vermelho os erros que se por ventura os mesmos tenham cometido. Estabelecendo-se então a cultura dos rótulos. Separando aqueles que ingressam na escola com muitos “saberes e experiências”, dos que necessitariam da escola para proporcionar-lhes as oportunidades que a vida lhe impossibilita pelos mais variados motivos.

Saímos pois, de uma cultura baseada no pressuposto da avaliação como o centro do processo onde as preocupações fundamentais eram:

– qual o conteúdo que vai cair na prova?;

– o aluno foi aprovado ou reprovado ?;

– como se recupera a “nota”?

Para um processo em que o ato de aprender é o centro e o aluno o sujeito desse processo, sendo o objetivo fundamental da avaliação melhorar a aprendizagem.

Assim considerada a avaliação como um instrumento de melhoria humana: melhoria pessoal, profissional, educacional, social e artística. O processo avaliar (meio) só tem razão de ser grande quando agrega uma realimentação do processo de aprender (fim).

A função da avaliação dentro desse conceito seria de:

– diagnosticar

– reforçar

– permitir crescer.

Assim, o papel do professor é de um conselheiro, orientador e não de um juiz. A abordagem da avaliação “punição” é substituída pela abordagem da “melhoria contínua”. Existe um ambiente de “conspiração” e parcerias entre professor e aluno em prol do aprender a aprender e aprender sobre aprender.

– Avaliação da variação de aprendizagem

Caberá a escola como um todo através de seus profissionais de educação determinar e estabelecer o limite inferior e o limite superior de seu nível de exigências. Se o desempenho do educando no processo de ensino aprendizagem ficar dentro desse limite torna-se aceitável. Em qualquer desempenho humano existe essa variação.

– Avaliação para melhorar a aprendizagem
Sendo a avaliação um instrumento que propicia a melhoria contínua, que cumpre a sua função de diagnosticar, reforçar e permitir crescer, o realizar do processo pedagógico deve ser uma de suas finalidades.

– Avaliação do e no processo

Novas teorias pesquisas e concepções educacionais apresentam a proposta de avaliação como um mecanismo motivador para que o aluno passe a ter um desempenho tal que propicie dominar e incorporar novos valores, habilidades e conhecimentos ainda não aprendidos, com a consciência de que há alegria no ato de aprender algo novo.

O questionamento principal seria o educando apreendeu ou não aprendeu e caso negativo como ajudar o educando a superar as suas dificuldades. Os resultados passam a ser subsídio, recursos para delinear novas ações do processo como um todo e num ensino mais personalizado. Quanto a avaliação no processo, cabe aos professores coletar dados e informações, com o objetivo de constatar evidências do que realmente está acontecendo com a aprendizagem. Essa coleta poderá ser em aula, ao final dela, ao fim de uma unidade ou um tema. Se for diagnosticada qualquer dificuldade cabe ao professor acessar outros mecanismos métodos e práticas de aprendizagem para que as mesmas sejam sanadas. Em alguns caso sendo aconselhado o reforço. Busca-se portando todas as formas possíveis de evitar o fracasso e garantir o sucesso.

– Avaliação Reforço Pedagógico

A prática do reforço exige um focar eficiente de dificuldades específicas do educando. A sua avaliação tende a ser imediata e assim que sanada a dificuldade o aluno deverá ser reintegrado no contexto em pauta.

– Avaliação por equipes

A equipe dos profissionais de educação não é só responsável pela avaliação das habilidades e conhecimentos específicos de sua área ou disciplina, mas também é responsável pelo desenvolvimento da avaliação de habilidades genéricas e valores definidos de escola.

– Avaliação interpessoal/intrapessoal

Sendo o aluno o sujeito do seu caminhara pedagógico, nada mais justo que participe de forma ativa no contexto da avaliação de sua própria aprendizagem. Muitos autores trazem a auto-avaliação como condição essencial para haver melhoria continua no processo. A busca pela excelência passa por: a)análise do que faz;

b)uma busca de novas formas de aperfeiçoamento;

c)uma implementação de mudanças que atuarão de forma dinâmica e decisiva no seu processo de crescimento.

Uma conscientização da importância da auto-avaliação e da avaliação de cada uma das atividades e trabalhos apresentados sejam individuais ou em equipe faz-se necessária para que o educando entenda a importância e o valor desse processo .

Denominando de avaliação concorrente William Glasser apresenta uma proposta fundamentada em três características:

a)coordenada,

b)cooperante,

c)contribuinte,explorando dois momentos distintos.

O primeiro é o momento da competência (em situações de resposta fechada/igual), em que o professor explora as habilidades técnicas do aluno na solução de um problema e a habilidade comportamental na explicação da resposta. Avaliação por mérito.

O segundo momento é o do nível de qualidade que o aluno é capaz de atingir em seu desempenho (em situações de resposta aberta/diferente), em que o aluno se avalia, melhora o trabalho através da orientação do professor, repetindo o processo até que ambos professor e aluno considerem atingidos os objetivos propostos.

Esse processo tem dois referenciais de grande importância :

1.- A habilidade de fazer uma auto-avaliação é fundamental para uma vida de qualidade.

2.- A mudança de ótica que passa do controle externo para a junção desse com o controle interno.

– Avaliação dos indicares/quesitos /níveis de exigência
Quando a escola estabelece através de seus profissionais da educação os indicadores, quesitos e níveis de exigência e aborda todos os seus significados de maneira clara e precisa com o aluno fica evidente que a prática avaliativa torna-se mais criteriosa e justa. Muito da “animosidade, subjetividade e desconforto que acompanha processos dessa natureza são eliminados e o educador passa ao seu aluno que o seu trabalho para ser aceito tem de ter qualidade.

– Avaliação dos instrumentos

A diversidade de instrumentos e técnicas é fundamental. Ao aluno deve ser dado toda a oportunidade possível de mostrar e aplicar o seu conhecimento.

Para examinar habilidades e conhecimentos tecnicamente adquiridos provas bem elaboradas são recomendáveis.

Mas, se o objetivo for examinar valores, atitudes, habilidades Comportamentais, múltiplas inteligências o enfoque será na avaliação alternativa composta de alguns desses exemplos:

– projetos,

– prova em equipe,

– prova com consulta (anotações, livros, periódicos, Internet…)

– seminários com apresentações orais e debates,

– solução de grupo de exercícios individuais/em equipes,

– atividades artísticas que demonstrem o conhecimento adquirido,

– observações, relatórios, cadernos de logs,

– participação em projetos que desenvolvam serviços comunitários,

– reportagens e entrevistas,

– criação, desenvolvimento e construção de produtos físicos,

– realização de experimentos.

É importante considerar que o que valor de um instrumento ou técnica de avaliação reside em sua capacidade de fornecer subsídios que quando explorados auxiliem tanto ao professor como ao aluno desencadear uma melhora no processo de aprendizagem. Oportunizando e acessando novos caminhos a serem seguidos para que realmente obtenha-se o resultado desejado.

– Avaliação Autêntica
Podemos denominar uma avaliação como autêntica, quando envolve diversidade de tarefas integrativas, desafiadoras ou complexas. O que geralmente exige o aplicação de habilidades de pensamento superior. Seis características qualificam uma avaliação como autêntica:

1-ser aberta, rica e variada;

2-estar ligada a uma situação do mundo real;

3-possibilitar a realização de atividades de aplicação de conhecimento para resolver problemas ou responder perguntas de substância;

4-permitir que o aluno demonstre o desempenho de um aprendizagem considerada significante;

5-oferecer oportunidade do educando demonstrar sua capacidade de criar algo (um produto);

6-possibilitar ao estudante efetivar um desempenho real.

– Avaliação ( Portfólios)

Portfólios são pastas que contêm amostras dos melhores trabalhos dos alunos. São trabalhos ilustrativos do seu pensar, sentir, agir; de suas capacidades e realizações. Esse instrumento tem como função básica oferecer uma visão global e sistêmica do aluno e seu desempenho de aprendizagem nas diversas disciplinas ou áreas curriculares. Além daquelas de caracter valorativo e representativas de suas habilidades genéricas/comportamentais.

Alguns elementos que podem compor um portfólio;

Listas de verificação

a)desempenho em leitura;

b)desempenho em habilidades matemáticas;

c)especificação de conteúdos trabalhados por áreas;

d)comportamentos nos trabalhos em equipe;

Amostra de trabalhos

a)versão inicial e versão final;

b)peças, artes, desenhos;

c)fotos, peças de exposição;

d)testes acadêmicos de desempenho;

Registros escritos

a)boletins, anedotários e questionários;

b)lista de livros lidos;

c)registro de leituras, esportivos e artísticos;

d)correspondências com pais, amigos, escolas irmãs;

Desempenho reais

a)leituras orais e discursos;

b)registros de comportamentos sociais;

c)registro de entrevistas; desempenho ligados a música, dança e canto;

d)desempenho gravados em vídeo e áudio.

Os portfólios devem ser vistos como tomadas instantâneas de determinados momentos de aprendizagem( como fotografias). São registros abertos e não permanentes e fechados . Podem ser revistos, completados e analisados periodicamente para sempre representar o que melhor o aluno produziu até aquela etapa educacional.

Os portfólios possibilitam uma avaliação compartilhada e cooperativa através da participação do professor, (selecionando juntamente com o aluno os trabalhos mais significativos); do aluno, (exercendo o senso crítico e a capacidade de modificar para melhor); dos pais, (opinando e analisando o desempenho do filho); dos colegas, (desenvolvendo o senso crítico e opinando); dos professores de outras áreas que trabalham com o educando (contribuindo com depoimentos e descrições).

Três aspectos merecem ser ressaltados no trabalho com portfólios.

1-Destaca os pontos fortes do aluno;

2-Permite que o próprio educando monitore sua aprendizagem, assumindo o compromisso de manter-se em permanente estado de auto avaliação.

3-Incorporam pressuposto da educação contemporânea principalmente no que diz respeito a nova visão de avaliação como um processo contínuo e permanente de melhoria de aprendizagem.

– Avaliação (Registros)

Com a finalidade de conseguir uma avaliação realmente comprometida com todo o processo poderíamos trabalhar os registros em três momentos

1.- O momento das notas. Um esquema numérico resultante de inúmeros eventos avaliativos.

2.- Os números são substituídos por conceitos

3.- No terceiro momento a avaliação é feita através de registros do progresso como expressão da avaliação permanente. Adotando-se sempre uma abordagem gradual e evolutiva.

Dentro de uma visão mais sistêmica da escola teríamos mais dois tópicos para avaliar que seria: a avaliação do ensino do professor e a avaliação para melhorar o processo. Tópicos esses que dependeriam da participação das famílias e comunidades onde a escola esta inserida.

Extraído de: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=2141

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