A todos meus alunos e ex-alunos um Guia contendo uma lista bibliográfica dos livros clássicos que devem ser lidos em História

Queridos alunos e alunas, segue a lista bibliográfica que vcs me pediram sobre os grandes clássicos da historiografia brasileira. O arquivo em pdf foi criado a partir de link: http://www1.folha.uol.com.br/fol/brasil500/guia.htm
Boa leitura a todos!!!!

Texto sobre avaliação para a turma 5º termo de História – Disciplina: Prática de ensino V

Avaliação – termômetro da educação
Gilda Lück

“O homem hoje tem de processar informações de um modo muito diferente do de ontem. Nossos mestres gostariam que compreendêssemos o que nos ensinam nos mínimos detalhes, mas a sobrecarga é muito grande. A quantidade de informações é excessiva. O segredo é portanto “escanearmos” o que realmente importa. E a escolha desse conteúdo e sua aplicação em benefício de um crescimento individual e coletivo que diferencia o sábio do prepotente” Tony Schwartz.

Ao examinarmos contextos como este e outros semelhantes, chegamos a conclusão que o “canal tecnológico ” de aprender mudou muito. Pertencemos a uma geração que aprendeu a ler o mundo através do uso de livros e materiais impressos. Já a geração atual utiliza de todo um instrumental tecnológico como o computador, vídeos, televisão e instrumentos de ultima geração nas áreas científicas para compreender e assimilar o mundo nos rodeia. Os canais usados para o ato de aprender são outros, portanto os canais para o ato de avaliar também devem ser outros.

A história da avaliação se mistura a história de nossa colonização Cipriano Luckesi em conferência proferida na Universidade Estadual de Pernambuco (1995) traz a tona que ” a avaliação como sinônimo de provas e exames ” é uma herança que data de 1599, trazida ao Brasil pelos jesuítas. Ainda ressalta que Commenius, em seu livro Didactica Magna, 1632 já apresenta a técnica das perguntas e do medo para prender a atenção dos alunos ressaltando que o erro deveria ser motivo de “vitupério”. Já John Dewey, Maria Montessori, e nosso Anísio Teixeira propagam o educar para a autonomia e crescimento eliminando a prova como se apresentava. William Glasser, falando a educadores em Brasília (1995) ressalta a interligação existente entre o fracasso, a desistência e a permanência em uma zona de conforto onde o aluno não se expõem, mas também não fracassa. Jussara Hoffmann apresenta a ambivalência de comportamento na professora do primeiro e segundo ciclo do fundamental, que enquanto se mostra de um lado afetuosa, alegre, atenciosa com o aluno, exerce o autoritarismo agressivo ao rabiscar de vermelho os erros que se por ventura os mesmos tenham cometido. Estabelecendo-se então a cultura dos rótulos. Separando aqueles que ingressam na escola com muitos “saberes e experiências”, dos que necessitariam da escola para proporcionar-lhes as oportunidades que a vida lhe impossibilita pelos mais variados motivos.

Saímos pois, de uma cultura baseada no pressuposto da avaliação como o centro do processo onde as preocupações fundamentais eram:

– qual o conteúdo que vai cair na prova?;

– o aluno foi aprovado ou reprovado ?;

– como se recupera a “nota”?

Para um processo em que o ato de aprender é o centro e o aluno o sujeito desse processo, sendo o objetivo fundamental da avaliação melhorar a aprendizagem.

Assim considerada a avaliação como um instrumento de melhoria humana: melhoria pessoal, profissional, educacional, social e artística. O processo avaliar (meio) só tem razão de ser grande quando agrega uma realimentação do processo de aprender (fim).

A função da avaliação dentro desse conceito seria de:

– diagnosticar

– reforçar

– permitir crescer.

Assim, o papel do professor é de um conselheiro, orientador e não de um juiz. A abordagem da avaliação “punição” é substituída pela abordagem da “melhoria contínua”. Existe um ambiente de “conspiração” e parcerias entre professor e aluno em prol do aprender a aprender e aprender sobre aprender.

– Avaliação da variação de aprendizagem

Caberá a escola como um todo através de seus profissionais de educação determinar e estabelecer o limite inferior e o limite superior de seu nível de exigências. Se o desempenho do educando no processo de ensino aprendizagem ficar dentro desse limite torna-se aceitável. Em qualquer desempenho humano existe essa variação.

– Avaliação para melhorar a aprendizagem
Sendo a avaliação um instrumento que propicia a melhoria contínua, que cumpre a sua função de diagnosticar, reforçar e permitir crescer, o realizar do processo pedagógico deve ser uma de suas finalidades.

– Avaliação do e no processo

Novas teorias pesquisas e concepções educacionais apresentam a proposta de avaliação como um mecanismo motivador para que o aluno passe a ter um desempenho tal que propicie dominar e incorporar novos valores, habilidades e conhecimentos ainda não aprendidos, com a consciência de que há alegria no ato de aprender algo novo.

O questionamento principal seria o educando apreendeu ou não aprendeu e caso negativo como ajudar o educando a superar as suas dificuldades. Os resultados passam a ser subsídio, recursos para delinear novas ações do processo como um todo e num ensino mais personalizado. Quanto a avaliação no processo, cabe aos professores coletar dados e informações, com o objetivo de constatar evidências do que realmente está acontecendo com a aprendizagem. Essa coleta poderá ser em aula, ao final dela, ao fim de uma unidade ou um tema. Se for diagnosticada qualquer dificuldade cabe ao professor acessar outros mecanismos métodos e práticas de aprendizagem para que as mesmas sejam sanadas. Em alguns caso sendo aconselhado o reforço. Busca-se portando todas as formas possíveis de evitar o fracasso e garantir o sucesso.

– Avaliação Reforço Pedagógico

A prática do reforço exige um focar eficiente de dificuldades específicas do educando. A sua avaliação tende a ser imediata e assim que sanada a dificuldade o aluno deverá ser reintegrado no contexto em pauta.

– Avaliação por equipes

A equipe dos profissionais de educação não é só responsável pela avaliação das habilidades e conhecimentos específicos de sua área ou disciplina, mas também é responsável pelo desenvolvimento da avaliação de habilidades genéricas e valores definidos de escola.

– Avaliação interpessoal/intrapessoal

Sendo o aluno o sujeito do seu caminhara pedagógico, nada mais justo que participe de forma ativa no contexto da avaliação de sua própria aprendizagem. Muitos autores trazem a auto-avaliação como condição essencial para haver melhoria continua no processo. A busca pela excelência passa por: a)análise do que faz;

b)uma busca de novas formas de aperfeiçoamento;

c)uma implementação de mudanças que atuarão de forma dinâmica e decisiva no seu processo de crescimento.

Uma conscientização da importância da auto-avaliação e da avaliação de cada uma das atividades e trabalhos apresentados sejam individuais ou em equipe faz-se necessária para que o educando entenda a importância e o valor desse processo .

Denominando de avaliação concorrente William Glasser apresenta uma proposta fundamentada em três características:

a)coordenada,

b)cooperante,

c)contribuinte,explorando dois momentos distintos.

O primeiro é o momento da competência (em situações de resposta fechada/igual), em que o professor explora as habilidades técnicas do aluno na solução de um problema e a habilidade comportamental na explicação da resposta. Avaliação por mérito.

O segundo momento é o do nível de qualidade que o aluno é capaz de atingir em seu desempenho (em situações de resposta aberta/diferente), em que o aluno se avalia, melhora o trabalho através da orientação do professor, repetindo o processo até que ambos professor e aluno considerem atingidos os objetivos propostos.

Esse processo tem dois referenciais de grande importância :

1.- A habilidade de fazer uma auto-avaliação é fundamental para uma vida de qualidade.

2.- A mudança de ótica que passa do controle externo para a junção desse com o controle interno.

– Avaliação dos indicares/quesitos /níveis de exigência
Quando a escola estabelece através de seus profissionais da educação os indicadores, quesitos e níveis de exigência e aborda todos os seus significados de maneira clara e precisa com o aluno fica evidente que a prática avaliativa torna-se mais criteriosa e justa. Muito da “animosidade, subjetividade e desconforto que acompanha processos dessa natureza são eliminados e o educador passa ao seu aluno que o seu trabalho para ser aceito tem de ter qualidade.

– Avaliação dos instrumentos

A diversidade de instrumentos e técnicas é fundamental. Ao aluno deve ser dado toda a oportunidade possível de mostrar e aplicar o seu conhecimento.

Para examinar habilidades e conhecimentos tecnicamente adquiridos provas bem elaboradas são recomendáveis.

Mas, se o objetivo for examinar valores, atitudes, habilidades Comportamentais, múltiplas inteligências o enfoque será na avaliação alternativa composta de alguns desses exemplos:

– projetos,

– prova em equipe,

– prova com consulta (anotações, livros, periódicos, Internet…)

– seminários com apresentações orais e debates,

– solução de grupo de exercícios individuais/em equipes,

– atividades artísticas que demonstrem o conhecimento adquirido,

– observações, relatórios, cadernos de logs,

– participação em projetos que desenvolvam serviços comunitários,

– reportagens e entrevistas,

– criação, desenvolvimento e construção de produtos físicos,

– realização de experimentos.

É importante considerar que o que valor de um instrumento ou técnica de avaliação reside em sua capacidade de fornecer subsídios que quando explorados auxiliem tanto ao professor como ao aluno desencadear uma melhora no processo de aprendizagem. Oportunizando e acessando novos caminhos a serem seguidos para que realmente obtenha-se o resultado desejado.

– Avaliação Autêntica
Podemos denominar uma avaliação como autêntica, quando envolve diversidade de tarefas integrativas, desafiadoras ou complexas. O que geralmente exige o aplicação de habilidades de pensamento superior. Seis características qualificam uma avaliação como autêntica:

1-ser aberta, rica e variada;

2-estar ligada a uma situação do mundo real;

3-possibilitar a realização de atividades de aplicação de conhecimento para resolver problemas ou responder perguntas de substância;

4-permitir que o aluno demonstre o desempenho de um aprendizagem considerada significante;

5-oferecer oportunidade do educando demonstrar sua capacidade de criar algo (um produto);

6-possibilitar ao estudante efetivar um desempenho real.

– Avaliação ( Portfólios)

Portfólios são pastas que contêm amostras dos melhores trabalhos dos alunos. São trabalhos ilustrativos do seu pensar, sentir, agir; de suas capacidades e realizações. Esse instrumento tem como função básica oferecer uma visão global e sistêmica do aluno e seu desempenho de aprendizagem nas diversas disciplinas ou áreas curriculares. Além daquelas de caracter valorativo e representativas de suas habilidades genéricas/comportamentais.

Alguns elementos que podem compor um portfólio;

Listas de verificação

a)desempenho em leitura;

b)desempenho em habilidades matemáticas;

c)especificação de conteúdos trabalhados por áreas;

d)comportamentos nos trabalhos em equipe;

Amostra de trabalhos

a)versão inicial e versão final;

b)peças, artes, desenhos;

c)fotos, peças de exposição;

d)testes acadêmicos de desempenho;

Registros escritos

a)boletins, anedotários e questionários;

b)lista de livros lidos;

c)registro de leituras, esportivos e artísticos;

d)correspondências com pais, amigos, escolas irmãs;

Desempenho reais

a)leituras orais e discursos;

b)registros de comportamentos sociais;

c)registro de entrevistas; desempenho ligados a música, dança e canto;

d)desempenho gravados em vídeo e áudio.

Os portfólios devem ser vistos como tomadas instantâneas de determinados momentos de aprendizagem( como fotografias). São registros abertos e não permanentes e fechados . Podem ser revistos, completados e analisados periodicamente para sempre representar o que melhor o aluno produziu até aquela etapa educacional.

Os portfólios possibilitam uma avaliação compartilhada e cooperativa através da participação do professor, (selecionando juntamente com o aluno os trabalhos mais significativos); do aluno, (exercendo o senso crítico e a capacidade de modificar para melhor); dos pais, (opinando e analisando o desempenho do filho); dos colegas, (desenvolvendo o senso crítico e opinando); dos professores de outras áreas que trabalham com o educando (contribuindo com depoimentos e descrições).

Três aspectos merecem ser ressaltados no trabalho com portfólios.

1-Destaca os pontos fortes do aluno;

2-Permite que o próprio educando monitore sua aprendizagem, assumindo o compromisso de manter-se em permanente estado de auto avaliação.

3-Incorporam pressuposto da educação contemporânea principalmente no que diz respeito a nova visão de avaliação como um processo contínuo e permanente de melhoria de aprendizagem.

– Avaliação (Registros)

Com a finalidade de conseguir uma avaliação realmente comprometida com todo o processo poderíamos trabalhar os registros em três momentos

1.- O momento das notas. Um esquema numérico resultante de inúmeros eventos avaliativos.

2.- Os números são substituídos por conceitos

3.- No terceiro momento a avaliação é feita através de registros do progresso como expressão da avaliação permanente. Adotando-se sempre uma abordagem gradual e evolutiva.

Dentro de uma visão mais sistêmica da escola teríamos mais dois tópicos para avaliar que seria: a avaliação do ensino do professor e a avaliação para melhorar o processo. Tópicos esses que dependeriam da participação das famílias e comunidades onde a escola esta inserida.

Extraído de: http://www.profissaomestre.com.br/php/verMateria.php?cod=2141

Aos alunos do 1º semestre de História e Geografia

1. CONCEITO DE HISTÓRIA:
– História é a ciência que estuda a mudança.
– História é vida, é movimento, é transformação.
– a História estuda a vida humana através do tempo: estuda o que os homens fizeram, pensaram ou sentiram enquanto seres sociais.
– Processo de transformação onde todos os homens são agentes das constantes mudanças que ocorrem: processo histórico.

2. O TERMO HISTÓRIA:
– os gregos foram os primeiros a utilizá-lo: histor, originalmente, significava aquele que apreende pelo olhar, aquele que sabe, o testemunho, aquele que testemunhou com seus próprios olhos os acontecimentos.
– “História” (“his” + “oren”) significava apreender pelo olhar aquilo que se sucede dinamicamente, ou seja, testemunhar os acontecimentos, a realidade.
– por influência de Heródoto, que deu o título de Histórias ao resultado de suas pesquisas acerca das Guerras Médicas, o termo assumiu o sentido particular de busca do conhecimento das coisas humanas, do saber histórico.
– História passou a significar a busca, a pesquisa e também os resultados compilados na obra histórica.

3. SENTIDOS DA PALAVRA HISTÓRIA:
– realidade histórica: conjunto dos fenômenos pelos quais se manifestou, se manifesta ou se manifestará a vida da humanidade . A realidade objetiva do movimento do mundo e das coisas.
– conhecimento histórico: a observação subjetiva da realidade pelo historiador.
– obra histórica: o registro da observação da realidade feita pelo historiador num relato escrito.

4. O AGENTE DA HISTÓRIA:
– O Homem é o agente fazedor da História

5. CULTURA:
– Cultura é a maneira de manifestar vida de um grupo humano. – é o conjunto das diversas formas naturais e espirituais com que os indivíduos de um grupo convivem, nas quais atuam e se comunicam e cuja experiência coletiva pode ser transmitida através de vias simbólicas para a geração seguinte. – o Homem produz cultura: produz objetos e idéias de acordo com suas necessidades de sobrevivência.

6. FONTES HISTÓRICAS:
+ vestígios (documento) que permitem a reconstituição do passado.
– arqueológicos: restos de animais, utensílios, fósseis, ruínas de templos, palácios e túmulos, esculturas, pinturas, cerâmicas, moedas, medalhas, armas, etc.
– escritos: códigos, decretos, tratados, constituições, leis, editais, relatórios, registros civis, memórias, crônicas, etc.
– orais: tradições, lendas, mitos, fábulas, narrações poéticas, canções populares, etc.

7. FATO HISTÓRICO:
– o fato histórico é o objeto de estudo da História.
– é singular, irreversível e de repercussão social.

8. CIÊNCIAS AUXILIARES DA HISTÓRIA:
– Economia: estuda os meios de produção, distribuição, consumo e circulação da riqueza.
– Sociologia: estuda o homem em sociedade.
– Geografia: estuda a superfície da terra no seu aspecto físico e humano.
– Antropologia: estuda o homem no aspecto biológico e cultural.
– Arqueologia: estuda as culturas extintas.
– Paleontologia: estuda os fósseis.
– Paleografia: escritos antigos em materiais leves.
– Epigrafia: escritos antigos em materiais pesados.

9. PARA QUE SERVE A HISTÓRIA?
– para dar consciências aos homens do seu poder de transformar a realidade.

10. PERIODIZAÇÃO HISTÓRICA:
· Periodização Tradicional: Pré-História e História.
+ Pré-História:
I. Paleolítico.

II. Neolítico.

III. Idade dos Metais.

+ História:
I. Idade Antiga: da invenção da escrita (4.000 a.C.) até a queda do império romano (476).
II. Idade Média: da queda do império romano até a tomada de Constantinopla (1453).
III. Idade Moderna: da tomada de Constantinopla até a Revolução Francesa (1789).
IV. dade Contemporânea: da Revolução Francesa até os dias atuais.
– nem todos os historiadores concordam com a periodização tradicional da História baseada na história política.
– existem outras propostas de divisões inspiradas, por exemplo, no enfoque econômico (modo de produção), tecnológico-científico, etc.
– a divisão da História em períodos não é precisa nem natural.
– a divisão tradicional da História é hoje bastante discutível porque uniformiza os vários períodos quanto a sua importância, conduz à idéia de hierarquia nos vários acontecimentos, leva em consideração apenas a civilização ocidental e demonstra a fragilidade desta compartimentação, relegando fatos históricos também considerados importantes.
– o tempo é universal, mas não é absoluto.
– nem todos os povos adotam o calendário cristão (calendário gregoriano, instituído pela Igreja Católica no séc. XVI, para adequar o anterior (Juliano) às suas festividades religiosas). Muçulmanos e judeus, por exemplo, têm sistemas próprios de demarcação de tempo.

11. TEORIA DA HISTÓRIA:
– a historiografia é a arte ou o modo de escrever a História ou o estudo crítico da História.
– os conceitos de espaço e de tempo, essenciais no conhecimento histórico, evidenciam a inter-relação da História com a Geografia.
– a História, como as outras formas de conhecimento da realidade, está sempre se constituindo: o conhecimento que ela produz nunca é perfeito ou acabado.
– a História dos homens na transformação da natureza e na organização das sociedades é objeto de controvérsia permanente para historiadores e cientistas sociais.
– o passado histórico não deve ser apresentado de maneira única, como uma verdade absoluta, desvinculado das discussões que envolvam o presente.
– o historiador não é homem neutro, imparcial e isolado de sua época. O mundo de hoje contagia de alguma maneira o trabalho do historiador, refletindo-se na reconstrução que ele elabora do passado.
– a compreensão do presente e o estudo do passado não se relacionam entre si de forma mecânica, estreita e determinista.

12. PATRIMÔNIO CULTURAL E HISTÓRIA
“Quando vivemos num lugar somos reco­nhecidos por alguma coisa que fazemos, pelo que fazem nossos pais ou as pessoas com quem vivemos, ou por coisas que nos vão acontecen­do. Fazendo amigos, indo à escola, trabalhan­do, ajudando aos outros, brincando, marcamos a nossa vida e as vidas das pessoas que nos cer­cam.
Tudo o que fazemos, o que criamos ou inventamos, é a partir do que vemos, do que sentimos e do que aprendemos. E tanta coisa! Há jeitos diferentes de viver, de tratar o meio ambiente e os animais, de cuidar dos doentes,fazer festas e comidas, mas tudo isto fala ~mos. Também as brincadeiras, as músicas que ­cantamos, as danças, os jogos, as histórias. Chamamos a este conjunto de coisas de Patrimônio Cultural. Ele é constituído pelo que já encontramos desde que nascemos, mas também pelo que vamos construindo e acrescentando com a nossa vida e a nossa ação. É como uma “herança” que todos recebemos ao nascer e que faz o con­junto dos bens que pertencem a um povo ou a um país: o meio ambiente, tudo o que se es­creve nos livros, o que se produz nas artes, tudo o que se aprende e se faz para sobreviver (como o saber subir em árvores, saber pescar, plantar e colher, saber cuidar dos animais, saber na­dar…); e tudo o mais que é necessário para vi ver bem (como cozinhar, costurar, construir fabricar, instalar; assim como os objetos que se fabrica, as construções, as cidades). Esta “herança” é o patrimônio cultural.
Somente conhecendo o patrimônio cultu­ral de uma comunidade podemos entender um pouco o que ela é: o que fazem as pessoas que ali vivem, e até o que desejam e sonham, pode­mos enfim conhecer a sua história. Por isto os historiadores, para escrever os livros de Histó­ria, vão procurar informações estudando os bens do patrimônio cultural. Eles pesquisam dados do meio ambiente, buscam documentos nos ar­quivos, museus e bibliotecas, lêem livros, entrevistam pessoas, estudam outros tipos de bens culturais.
Podemos aprender História nos livros, mas precisamos também entender como trabalham os historiadores e, como eles. conhecer o que di­zem os documentos, os monumentos, as fotogra­fias, as manifestações ar­tísticas, os documen­tários da TV ou do cine­ma, os jornais, ou o que nos dizem as lembranças dos mais velhos. Assim veremos como é fasci­nante a nossa história, quanto há o que aprender com ela! Certamente va­mos entender e valorizar este patrimônio, que fala da nossa história e que, portanto, fala sobre nós mesmos”.
Texto extraído:
SANTOS, Lenalda Andrade e. Para Conhecer a História de Sergipe. SEED. 1998.

13. PATRIMÔNIO CULTURAL
I. Patrimônio Cultural:
· Ultimamente, os jornais, as revistas e a própria televisão estão a dar ênfase a uma assunto até há pouco sem interesse maior ao povo, que é esse tema ligado às construções antigas e seus pertences, representativos de gerações passadas e que, englobadamente, recebem o nome genérico de “Patrimônio Histórico”, ao qual, às vezes, também é aposta a palavra “artístico”. Na verdade, essa expressão usual abrange somente um segmento de um acervo maior, que é o chamado Patrimônio Cultural.
· Patrimônio Cultural pode ser definido como um conjunto de bens culturais, antigos e novos, representativo das manifestações culturais de uma nação ou de um povo.
· É incomensurável o número total de bens que compõem o Patrimônio Cultural de um povo, de uma nação ou de um pequeno município.
· O Patrimônio Cultural de uma sociedade ou de uma região ou de uma nação é bastante diversificado, sofrendo permanentemente alterações.
· Nem só de cidades e monumentos é formado o Patrimônio Cultural: quadros, livros ou mesmo fotografias que documentem a memória e os costumes de uma época também fazem parte do acervo cultural.
· Muitas pessoas, ainda hoje, confundem Patrimônio Cultural com amontoado de velharias, não sabendo que agora também estão, enquanto vivem, a enriquecer, ou a empobrecer, nosso elenco de bens representativos.
· A problemática do Patrimônio Cultural deve ser encarada de modo bastante abrangente, isto é, abordando todo o elenco de bens culturais de um povo, sem atentar, necessariamente, ao aspecto histórico.
· Patrimônio Oficial é aquele que legalmente reúne poucos e escolhidos bens culturais eleitos como preserváveis à posteridade.
· Nenhum país pode se vangloriar de possuir preservado o seu integral Patrimônio Cultural, representado de modo condigno por acervos museológicos, arquivos, mostruários, construções e urbanizações partícipes de ecomuseus que realmente sejam representações corretas de todo o seu desenvolvimento cultural.
· Podemos dividir o Patrimônio Cultural em três grandes categorias de elementos: os elementos pertencentes à natureza, ao meio ambiente; os elementos referentes ao conhecimento, às técnicas, ao saber e ao saber fazer; e os elementos chamados bens culturais que englobam objetos, artefatos e construções.
· Os bens culturais podem ser de interesse (valor) nacional, regional ou local.
· O Patrimônio Cultural deve ser encarado de modo bastante abrangente, não se limitando ao aspecto arquitetônico, ou seja, às construções antigas e seus pertences.
· O Patrimônio Cultural de um povo abrange todas as suas manifestações culturais, não só seus artefatos, mas, também sua música, dança, cantos, representações e histórias do povo, seus usos, costumes, assim como o seu “saber”, o seus “saber fazer” e, inclusive, o meio ambiente.
· De todos os elementos que compõem o Patrimônio Cultural, os mais importantes são os artefatos, ou seja, objetos e construções.
· A palavra artefato, quando contextualizada no tema Patrimônio Cultural, tanto pode designar um machado de pedra polida como um foguete interplanetário ou uma igreja ou a própria cidade em volta dessa igreja.
· Nosso pais é jovem e nos seus quinhentos anos de vida conseguiu aqui e acolá seu acervo de bens, absolutamente típicos de uma cultura nascida de três raças em paisagem paradisíaca.
· No próprio nome da entidade oficial destinada à defesa do “Patrimônio” Nacional Brasileiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), se distinguem apenas os bens “artísticos” dos “históricos”, desconsiderando a abrangência da problemática do Patrimônio Histórico.

II. Preservação do Patrimônio Cultural
· Preservar é conservar, manter, defender, registrar e resguardar, de qualquer maneira, o que for significativo dentro de nosso vasto repertório de elementos componentes do Patrimônio Cultural.
· Um bem cultural é inseparável do meio onde se encontra situado e, bem assim, da história da qual é testemunho, logo, na sua preservação, é imprescindível relacioná-lo com o seu meio ambiente, com sua área envoltória, com seu contexto sócio-econômico, recusando-se a encará-lo como trabalho isolado no espaço.
· O tombamento é um atributo que se dá ao bem cultural escolhido e separado dos demais para que, nele, fique assegurada a garantia da perpetuação da memória.
· Bem cultural de interesse nacional é aquele ligado ao quadro de elementos determinadores da identidade pátria, imprescindíveis à exata compreensão da nossa formação.
· O Patrimônio Cultural deve ser preservado e não importa a forma: se através de coleções particulares, do mercado de arte ou da proteção de entidades governamentais. O necessário é preservar, já que o que não é patrimônio histórico desaparece com o tempo.

III. Memória Social
· A memória social depende da preservação sistemática de segmentos do Patrimônio Cultural.
· Para garantir a compreensão de nossa memória social, se faz necessário preservar o que for significativo dentro de nosso vasto repertorio de elementos componentes do Patrimônio Cultural.
· No Brasil, poucos, muito poucos, têm uma visão global do problema e da necessidade da defesa da memória e de seus bens representativos.
· Em nosso país, é comum o descaso impune que assiste à destruição desnecessária de elementos do Patrimônio Cultural.
· No Brasil, é clara a falta de esclarecimento popular sobre a importância da preservação de nosso Patrimônio Cultural. Esta deseducação coletiva promove o descaso popular por tudo que represente o passado morto, sendo o futuro sempre uma espécie de sonho dourado – inconscientemente buscam todos melhoria de vida destruindo lembranças de antigamente.
· A preservação de bens culturais, na maioria das vezes, limitou-se a preservar objetos e construções da classe dominante, negligenciando os artefatos do povo.

EXEMPLO: CULTURA POPULAR NO BRASIL COLONIAL
I. Cultura Popular
· A realidade cultural de cada povo, seus hábitos e costumes, suas condições materiais, resultam de sua própria história; a cultura é algo global, que está presente em todos os aspectos da vida.
·Não existe cultura única em um país e, em termos de classes sociais, cada qual produz a sua cultura, de acordo com as condições de cada uma.
·Da desigualdade entre as classes sociais e, portanto, da desigualdade entre as respectivas culturas, deriva a classificação da cultura, em Cultura de Elite e Cultura Popular.
· A Cultura Popular é a que é vivida pelas camadas populares.
· A Cultura Popular é geralmente anônima, produzida em qualquer lugar, podendo ser nas ruas, no trabalho, em casa.
· As manifestações culturais consideradas populares têm influência dos três elementos básicos étnicos fundamentais que formam o povo brasileiro.
· O folclore é uma manifestação artística popular que se situa entre a oralidade e a escrita.
· Não há uma manifestação em que exista apenas um elemento exclusivo, seja branco, negro ou indígena.
· Foi só a partir do século atual que os pesquisadores eruditos começaram a sistematizar o estudo das manifestações culturais da população iletrada.
· É enorme e rica a contribuição dada pelos povos índios e pelos negros escravizados, desde a nossa formação histórica, à cultura brasileira.
· O folclore mostra como as camadas populares, que não têm acesso aos meios letrados, preservam e transmitem (ou renovam) as tradições.
· Os caboclos e mulatos brasileiros, herdeiros das culturas dos índios e dos negros, com as influencias da tradição lusitana, mesclaram tudo isso nas festas de São João, nos reisados, nos maracatus, nas capoeiras, nos sambas, na macumba, na poesia popular de cordel.
· Os africanos nos trouxeram o ritmo e a força que sobrevivem nas danças e nas religiões populares.
· Os índios forjaram a tradição de lendas, costumes, superstições populares, danças, cantos e maneiras de fazer comidas.

II. Festas
· Desde a Antiguidade, as festas são conhecidas por seu caráter de inversão da ordem. Ou seja, enquanto duram, regras e obrigações cotidianas são abandonadas; é como colocar o mundo de ponta-cabeça. No Brasil Colonial, as festas também exerciam esse papel.
· As festas mais comuns do Brasil Colonial eram as relacionadas ao calendário religioso católico, freqüentemente iniciadas por procissões a fim de homenagear ou relembrar eventos cristãos.
· Não só as datas religiosas eram motivo para realização de festas públicas, também serviam de pretexto as aclamações de um soberano, os casamentos reais ou aristocráticos e outros acontecimentos de caráter político.
· Eram comuns nessas festas misturarem-se rituais das culturas negra e indígena.
· Nos dias de festa, ricos e pobres, brancos e negros, pareciam diminuir suas diferenças. Era a ocasião em que se ofereciam alimentos ao povo da rua. Ao contrario do que ocorria no cotidiano, a comida era farta e consumida por todos. Assim, a festa extrapolava o motivo oficial para transformar-se em um momento de negação das regras do dia-a-dia.
· As congadas ou festas do Rei Congo trata-se de um ritual que inclui a coroação de um rei e uma rainha negra; rememoravam-se tradições africanas e utilizavam-se vestimentas e danças tipicamente africanas.
· No entrudo, festa introduzida no Brasil pelos portugueses, fabricavam-se limões-de-cheiro – bolas de cera cheias de água perfumada – com os quais se organizavam batalhas entre os passantes das ruas das cidades. Os negros substituíam o limão-de-cheiro (mais caro) por polvilho e água. Era comum, nesse dia, os negros vestirem-se com roupas típicas européias, fato proibido em circunstâncias normais.
· O batuque retrata a dança de roda praticada pelos negros escravos. Ao som de instrumentos de percussão, durante a dança ocorriam as “umbigadas”, quando a pessoa que está no centro da roda vai ser trocada por outra, o substituto leva uma umbigada do solista.
· Outra forma popular de divertimento era dançar o lundu aos pares e acompanhado de violão. Os negros dançavam sem para noites inteiras, escolhendo por isso, de preferência, os sábados e as vésperas dos dias santos. Era também uma dança praticada pelos portugueses e assemelhava-se ao bolero dos espanhóis.
· As manifestações da cultura popular verificadas no Brasil Colonial não devem ser consideradas inferiores as da cultura erudita e, por isso, não devem ser relegadas ao esquecimento, ao descrédito e ao obscurantismo.

Aos alunos do 5º Semestre – Disciplina: Prática de Ensino V

Terça – feira, 05 de Maio de 2009 16h00 – Secretaria Estadual da Educação – São Paulo (SEE-SP)

SP lança escola de formação de professores

* Só vai dar aula quem passar pela formação de quatro meses

* Concurso público vai contratar 10.000 professores

* Projeto abre 50.000 novas vagas na educação

* Serão criadas jornadas de 40 horas e 12 horas para professores

* Prova dos temporários será obrigatória para atuação na sala de aula

O governador José Serra e o secretário de Educação, Paulo Renato Souza, anunciam nesta terça-feira, dia 5, às 12h, no Palácio dos Bandeirantes, o Programa + Qualidade na Escola, com medidas importantes para melhorar a qualidade da educação no Estado. Será criada a Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo, que será obrigatória para os novos professores da rede pública. Serão 360 horas de formação durante quatro meses com atividades em classe e práticas escolares. “Estamos enfrentando com muito vigor um problema fundamental da educação, que é melhorar a preparação do professor para o aprendizado dos alunos”, diz o secretário Paulo Renato.

A iniciativa do Governo de São Paulo é pioneira no Brasil. Um projeto de lei enviado à Assembléia Legislativa vai estabelecer que o ingresso de professores, diretores e supervisores na rede pública estadual vai exigir, além do concurso público, a aprovação no curso de formação. Durante o curso, os candidatos a professor receberão 75% do salário inicial da categoria. A Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo ocupará o Edifício André Franco Montoro, na rua João Ramalho, e vai utilizar também a estrutura da Rede do Saber de ensino à distância, combinada com atividades presenciais e práticas de sala de aula. Serão feitas parcerias com universidades públicas e aproveitadas as experiências de várias ONGs que atuam no apoio à educação pública.

Concurso e abertura de vagas

O governo do Estado também vai contratar 10.000 novos professores e enviar à Assembléia Legislativa projeto para criar 50.000 novas vagas na educação pública. Os novos contratados terão que passar pela Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo para exercerem suas atividades junto aos alunos. “É um esforço significativo do Estado para valorizar o professor e melhorar a qualidade da educação pública”, diz o secretário Paulo Renato. Com as medidas, o governo reforça a estabilidade do corpo docente com professores efetivos e abre espaço para acelerar a redução do número de professores temporários.

Novas jornadas

Serão criadas duas novas cargas horárias para todos os profissionais da rede: 40 horas e 12 horas semanais, além das já existentes, de 24 e 30 horas semanais.

A jornada de 40 horas semanais é uma antiga reivindicação do magistério de São Paulo e assegura a estabilidade na escola dos professores das primeiras séries e das disciplinas com ampla carga horária, como Matemática e Língua Portuguesa. Já a jornada de 12 horas é importante para facilitar o processo de atribuição de aulas nas disciplinas com menor carga horária. A dificuldade de compor jornada nessas disciplinas é uma das principais causas do número elevado de professores temporários.

Prova dos temporários

O Programa + Qualidade na Escola traz também inovações na questão dos professores temporários. Será institucionalizado o exame obrigatório como requisito para que os professores atuem nas salas de aula. A atribuição de aulas dos professores temporários vai levar em conta os resultados da prova anual, além dos requisitos de tempo de serviço e titulação.

Somente serão admitidos para ministrar aulas os professores que forem aprovados na prova anual. Aos professores que não forem aprovados no exame e tiverem a garantia de estabilidade prevista na Lei 1010 (Lei da SP Prev) será assegurada a jornada mínima de 12 horas semanais, que será exercida em funções auxiliares do processo de ensino (como atividades em salas de leitura, infocentros e em programas de parceria com a comunidade). Os professores reprovadas no exame dos temporários não darão aulas. Esses professores deverão obrigatoriamente prestar o exame nos anos seguintes e conseguirem a aprovação para poderem dar aulas, ou continuarão em atividades auxiliares ao ensino nas escolas.

Atuam hoje na rede pública estadual 210 mil professores, sendo 130 mil efetivos e 80 mil temporários. São 5.300 escolas onde estudam cinco milhões de estudantes. As medidas do Programa + Qualidade na Escola seguem outras ações adotadas pelo governo para melhorar a qualidade da educação, como a política de bonificação e avaliação do desempenho, o programa Ler e Escrever, a definição de currículos e diversas formas de recuperação do aprendizado. “É um trabalho consistente e corajoso que vai melhorar a qualidade da nossa educação”, diz o secretário Paulo Renato.

Terça-feira, 5 de maio de 2009 – Jornal O Estado de São Paulo

Estado contratará 10 mil professores; projeto cria 50 mil vagas

Projeto de lei deve ser aprovado a tempo de haver concurso em setembro e contratações até o ano que vem (Carolina Freitas, da Agência Estado)

SÃO PAULO – O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou a contratação de 10 mil professores e enviou à Assembleia Legislativa projeto de lei para a criação de outras 50 mil vagas na rede estadual de ensino. O reforço de 60 mil educadores aumentará em mais de um quarto (28%) o total de docentes do Estado, que hoje é de 210 mil, para 5,3 mil escolas e 5 milhões de alunos.

A expectativa do secretário de Educação, Paulo Renato Souza, é ter o projeto de lei aprovado a tempo de fazer o concurso em setembro e as contratações até o ano que vem. A medida faz parte do programa “Mais Qualidade na Escola”, lançado nesta terça-feira no Palácio dos Bandeirantes.

Os professores que ingressarem na carreira a partir de agora terão de passar por uma etapa seletiva extra, um curso e uma prova da Escola de Formação de Professores do Estado, criada por decreto de Serra. A capacitação na Escola de Formação de quatro meses, com 360 horas, será obrigatória. A entidade está vinculada à Secretaria de Educação e terá recursos materiais e humanos da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

Paulo Renato não soube precisar o custo da criação da Escola de Formação. Afirmou apenas que o maior gasto será com o pagamento de bolsa aos professores-estudantes, de 75% do salário inicial da categoria. Os recursos para a criação da escola, que será instalada em um prédio na zona oeste da capital paulista, virão do orçamento da Secretaria de Educação, disse.

Para integrar os novos concursados na rede pública, o governo propôs à Assembleia a criação de duas jornadas de trabalho para os docentes, de 40 horas e 12 horas semanais. Atualmente, as jornadas são de 24 e 30 horas.  Ainda dentro do programa “Mais Qualidade na Escola”, o governador enviou proposta para tornar a aprovação no exame anual de temporários um requisito para que esses professores ministrem aulas. Os chamados “temporários estáveis” também serão avaliados. Quem for reprovado terá carga horária reduzida para 12 horas semanais, cumprida fora de sala de aula, em funções auxiliares.

Serra

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), atribuiu nesta terça-feira, 5, uma cota de responsabilidade pelas falhas no ensino no Estado à “inadequação das faculdades de pedagogia”, que, para ele, falham na formação de docentes. Ao anunciar a criação da Escola de Formação de Professores do Estado, Serra criticou o excesso de teoria no currículo do curso. “Onde menos se avançou (na rede pública) foi no aprendizado”, disse o governador. “Nas teses de faculdades de pedagogia há pouca coisa útil para melhorar o ensino.”

Serra chegou a sugerir um tema para trabalhos acadêmicos na área: “Por que ninguém sabe a tabuada no final da 4ª série?”. O governador disse que a tese ajudaria também a averiguar o conhecimento dos professores sobre matemática. “Eu já peguei professor que não sabia a tabuada”, disse. O governador recomendou ainda que as instituições privadas de ensino estimulem com bolsas de estudos os alunos que queiram pesquisar “sobre a sala de aula”.

Ao discursar sobre a rede de escolas técnicas do Estado, o governador voltou a mirar nas faculdades de pedagogia. “Ninguém vai ter ideia de fazer (uma tese sobre o ensino técnico) porque seria demasiado útil e banal.”

O secretário estadual de Educação, Paulo Renato Souza, disse esperar que a recém-criada Escola de Formação inspire mudanças nos cursos de pedagogia. “A escola vai influenciar as faculdades de educação”, disse Paulo Renato. “Os professores têm muita teoria e pouca prática.”

Ensino técnico

Em meio a elogios a uma das principais bandeiras de seu governo, o ensino técnico profissionalizante, Serra parafraseou o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Na área de ensino técnico e tecnológico, estamos fazendo a maior expansão da história de São Paulo. Se fosse o Maluf, diria assim: ‘Fizemos mais Fatecs Faculdades de Tecnologia do que tudo o que foi feito desde o descobrimento até 2007”, disse, para depois brincar com uma frase usual de Lula: “Nunca antes na história deste Estado se fez tanta escola.”

O governador disse ainda que mudará o nome do Centro Paula Souza, que administra as Escolas Técnicas (Etecs) e Fatecs do Estado. Segundo Serra, o centro ganhará “um nome mais forte”, SP Tec. “O pessoal pensa que Paula Souza é uma senhora benemérita, a Tia Paula, que recebe dinheiro de fundações suíças, dinamarquesas, alemãs para ensinar”, disse. “Tem de ter um nome mais forte, que é SP Tec. Vai ser (esse o nome) daqui em diante.”  O centro recebeu esse nome em abril de 1971, em homenagem ao engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza (1893-1917), fundador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

05/05/2009 – 15h33 – Folha Online – http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u560772.shtml

Serra cria escola de formação para professores e promete novas vagas

PAULO TOLEDO PIZA
Colaboração para a Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assinou nesta terça-feira um projeto de lei que altera a forma como os professores ingressam na rede estadual de ensino. Além de prestar concurso, os docentes terão de passar por curso complementar com duração de quatro meses e exame.

Serão 360 horas de formação, com atividades em classe e práticas escolares, antecipou o colunista da Folha Online Gilberto Dimenstein. As aulas para os professores serão ministradas na Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo, que ocupará o Edifício André Franco Montoro, na rua João Ramalho, região de Perdizes (zona oeste de São Paulo).

“Os professores receberão uma forte injeção de aperfeiçoamento aos seus conhecimentos”, disse o governador.

Durante o curso, os docentes receberão 75% do salário inicial. Ao final, serão submetidos a exame e somente os que forem aprovados poderão dar aulas. Os reprovados deverão prestar novo concurso.

“Queremos que o professor e a professora já entrem afiados para dar aula”, afirmou Serra.

Conforme o secretário de Estado da Educação, Paulo Renato Souza, o novo processo de seleção e criação da escola de formação não trarão custos adicionais ao Estado. “Isso será absorvido pelo orçamento normal da secretaria”, disse. Ele, porém, não soube quantificar os custos das novas medidas.

Apesar da criação da escola de formação de professores, criada por decreto de Serra, o projeto ainda deverá ser aprovado pela Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo).

Além das mudanças na contratação dos professores, Serra afirmou que enviou projeto de lei propondo a criação de 50 mil novas vagas de docentes na rede estadual –atualmente, são 210 mil professores no Estado– e novas cargas horárias (leia abaixo).

Qualidade de ensino

Durante entrevista concedida no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, Serra criticou a qualidade do ensino. “Muita coisa foi feita na educação, em relação ao ambiente escolar, como transporte, merenda e uniforme. Onde menos se avançou foi no ensino.”

O governador atribuiu à “inadequação das faculdades de pedagogia” como causa dessa defasagem.

Projetos

Outro projeto visa a imposição de um exame anual para os professores temporários. Quem for reprovado poderá exercer funções auxiliares nas escolas, mas não poderá dar aula.

O governador também anunciou a criação de duas novas cargas horárias semanais para os professores. Se o projeto for aprovado, além das cargas de 24 horas e 36 horas já existentes, haverá também as cargas semanais de 12 horas e 40 horas. Em nota, a Secretaria da Educação afirma que a carga de 40 horas “assegura a estabilidade na escola dos professores das 1ª série e das disciplinas com ampla carga horária, como português e matemática”.

Já a de 12 horas, conforme a pasta, “é importante para facilitar o processo de atribuição de aula nas disciplinas com menor carga horária”.

06/05/2009 – 07h52 – Folha de São Paulo

Professor terá de fazer curso e 2 provas para ser contratado em SP

FÁBIO TAKAHASHI

O governo de São Paulo anunciou que os candidatos a professor efetivo na rede estadual terão que passar por duas provas, ambas eliminatórias, e um curso de qualificação de quatro meses. Hoje, a seleção de efetivos é feita apenas em uma prova, o concurso público.

A nova regra deverá ser aplicada na seleção de setembro para o preenchimento de 10 mil vagas. O novo formato precisa ser aprovado pela Assembleia, onde o governo tem maioria.

O governador José Serra (PSDB) afirma que, com o curso, pretende melhorar a qualidade dos professores que entram na rede. “É um reforço para o corpo docente. Traslada do futuro para o presente os cursos de aperfeiçoamento.”

A proposta é fazer uma seleção inicial no concurso público e encaminhar os aprovados para o curso de qualificação. Ao final dos quatro meses, os candidatos passarão por novo exame, também eliminatório.

A educação é uma das áreas mais criticadas da gestão tucana. Segundo a própria avaliação estadual, mais de 80% dos alunos da oitava série não têm o conhecimento esperado para seu estágio. Serra, cotado para ser candidato na eleição presidencial em 2010, já mudou duas vezes o titular da área.

O Estado pretende abrir concursos para diminuir o número de professores temporários (80 mil), que representam 40% da rede. Os temporários não passaram por seleção e são apontados como uma das causas da má qualidade de ensino.

Em setembro serão preenchidos 10 mil cargos. Outras 50 mil vagas deverão ser criadas e preenchidas posteriormente.

Base

O curso proposto pelo governo usará as ferramentas já existentes de cursos de aperfeiçoamento do Estado. Parte da carga (360 horas) será à distância.

“Os cursos de pedagogia são muito teóricos. Na Escola de Formação [nome do programa], vamos focar mais a prática dentro da sala de aula”, disse o secretário Paulo Renato Souza.

“É uma medida estranha. Se já faz o concurso, para que outra prova? Não se confia no concurso?”, questiona o coordenador da pós-graduação em educação da USP, Romualdo Portela. “Mas é razoável que haja um treinamento.”

Para o vice-presidente do Conselho Estadual de Educação, João Cardoso Palma Filho, a medida é positiva. “O concurso cobra muita teoria. O curso pode oferecer a parte prática.”

“O problema é como dar treinamento a milhares de professores ao mesmo tempo. Iniciativa semelhante já existe, por exemplo, na Escola da Magistratura [do Tribunal de Justiça], mas com poucos candidatos”, disse Palma Filho. “O curso de professores não deverá trazer impacto grande na qualidade, mas é um começo.”

Os professores que participarem do programa ganharão uma bolsa de 75% do salário inicial do docente (que varia de acordo com a jornada).

Prova de temporários

O governo anunciou também que repetirá a prova para seleção de temporários. Para este ano, a pasta tentou fazer o exame, mas foi barrada pela Justiça, que entendeu que os temporários já faziam parte da rede e não podiam ser excluídos.

Agora, o governo decidiu que os temporários que ficarem abaixo da nota mínima não poderão dar aulas, mas ficarão em atividades auxiliares. Eles terão a jornada mínima da rede (12 horas semanais). A medida vale para o ano que vem. O exame terá de ser anual.