Aos alunos do 3º termo de História e Geografia

Documentos históricos trabalhados em sala:

1. As transformações econômicas

(…) Godric decidiu não levar a vida de camponês, mas estudar (…) Foi por isso que, como aspirava a ser comerciante, começou a se bufarinheiro e aprendeu a ganhar dinheiro vendendo mercadorias de pouco valor (…) e, depois, de grande valor (…) No princípio percorria as aldeias e as quintas dos arredores com pequenos artigos; depois, pouco a pouco, associou-se com mercadores da cidade. Assim adquiriu experiência, percorrendo cidades e burgos, feiras e mercados (…)

(Reginaldo de Durham, Vida de Santo Godric, século XI)

2. O surgimento das cidades (Bruges atual Bélgica)

(…) Para as necessidades dos habitantes do castelo, começaram a afluir diante da sua porta, junto da ponte, negociantes, depois taberneiros e hoteleiros (…) Tantos habitantes aí acorreram que em breve nasceu uma cidade (…)

(Jean Le Long, Crônica de São Bertino, século XI)


3. A liberdade que existia nas cidades em relação às obrigações feudais

(…) Quem residir um ano e um dia na paróquia de Lorris, sem que qualquer reclamação tenha sido feita contra ele (…), pode aí permanecer livremente e sem ser molestado (…)

(Constituição da cidade de Lorris, na atual França, 1155)

4. O comércio nas feiras de Champagne

Todas as companhias de mercadores e também os mercadores individuais, italianos, transalpinos, florentinos, milaneses, luqueses, genoveses, venezianos, alemães, provençais e os de outros países, que não pertencem ao nosso reino, se desejarem comerciar aqui e desfrutar os privilégios e os impostos vantajosos das mencionadas feiras (…) podem vir sem perigo, residir e partir – eles, suas mercadorias e seus guias (…) sem que estejam jamais sujeitos a apreensão, prisão ou obstáculos, por outros que não os guardas das ditas feiras (…)(Ordenança do Rei da França, 1439)

5. O intenso comércio na cidade de Veneza, no século XV

(…) Senhores, graças à paz a nossa cidade investe um capital de 10 milhões de ducados através do mundo inteiro, em parte por meio de naves, em parte por meio de galés e outros navios, de tal maneira que daí retiramos um benefício de 2 milhões de ducados com a exportação e de outros 2 milhões de ducados com a importação para Veneza, ou seja, 4 milhões no total. Temos a navegar três mil embarcações de dez a duzentas ânforas (de capacidade), tripuladas por 17 marinheiros. Temos 300 naves, tripuladas por 8.000 marinheiros. Pequenas ou grandes, 45 galeras navegam cada ano, com 11.000 marinheiros.

Felizes vós e vossos filhos! Vistes a nossa cidade cunhar cada ano um milhão e duzentos mil ducados de prata (…) As compras que nos faz a Lombardia levam à navegação de um grande número de barcos e de galeras à Síria, à România, à Catalunha, à Flandres, à Chipre, à Sicília e a outras regiões do globo. (Desse negócio resulta) para os Venezianos um lucro de 600.000 ducados (…) e desse trabalho vivem largamente vários milhares de pessoas (…) Vistes que os Florentinos nos fornecem cada ano 16.000 panos, muito finos, finos e médios. E nós os exportamos para Pouille, Nápoles, Sicília, Catalunha, Espanha, Barbaria (norte da África), Egito, Síria, Chipre, Rodes, România, Candia, Moréia, Lisboa; e cada semana os Florentinos nos trazem 7.000 ducados, o que faz 350.000 ducados por ano, para nos adquirirem lãs francesas e catalãs, carmesim, cereais, seda, cera, ouro, prata em bruto e fiada, açúcar, especiarias (…) alúmem, índigo, couro, jóias, com grandes lucros para a nossa terra (…)

(Marino Sanuto, Vida dos duques de Veneza)

6. Diálogo entre Colombo e dois árabes quando desembarcou em Calicute

(…) – Que diabo viestes procurar tão longe, na Índia?

Sem hesitar, Vasco da Gama respondeu:

– Cristãos e especiarias (…)

(Álvaro Velho, Roteiro da primeira viagem de Vasco da Gama – 1497-99)

7. Os poderes de Filipe II, rei absolutista da Espanha

(…) E, em matéria de Estado, ele (Filipe II) não poupava ninguém que tivesse falhado, fosse grande, fosse pequeno, e segundo as ocorrências ele lhe instaurava o processo sozinho, por sua mão e o fazia punir (…) nenhuma pessoa viva lhe falava senão de joelhos (…) e poucas vezes se deixava ver ao povo, e mesmo aos grandes, a não ser em dias solenes (…)

(Conde de Cheverny, Memórias, 1528-99)

8. Os cortesões das cortes

…não servem para nada. Se Sua Majestade dá uma ordem, eles repetem a grandes gritos essa ordem através dos corredores do Louvre, e se ela entreabre um pouco a boca para rir negligentemente, eles escancaram a boca à força de rir (…) sem saber por quê! (…)

(J Levron, Os cortesões)

9. A proteção dos reis ao comércio

(…) o Rei proíbe a todos os capitães e homens de guerra que ataquem mercadores, trabalhadores, gado ou cavalos ou bestas de carga, seja nos pastos ou em carroças, e não perturbem, nem às carruagens, mercadorias e artigos que estiverem transportando, e não exigirão deles resgate de qualquer forma; mas sim que tolerarão que trabalhem, andem de uma parte a outra e levem suas mercadorias e artigos em paz e segurança, sem nada lhes pedir, sem criar-lhes obstáculos ou perturba-los de qualquer forma. (…)

(Ordenança do Rei da França, 1439)


10. O vínculo econômico entre os reis e os burgueses

(…) Sir Robert de Ashely, representando o Rei, foi à Municipalidade de Londres e em nome do Rei convocou o Alcaide e os Intendentes da Cidade (…) a comparecerem perante o Rei Nosso Senhor e seu Conselho (…) E o Rei então fez oralmente menção das despesas que realizara em sua guerra em países além do mar, e que ainda teriam de ser feitas e pediu-lhes um empréstimo de vinte mil libras esterlinas (…) Unanimemente eles se prontificaram a emprestar-lhe cinco mil marcos, soma que, segundo disseram não poderiam ultrapassar. Ao que o Rei Nosso Senhor rejeitou imediatamente, ordenando ao Alcaide, Intendentes e outros que se lembrassem do voto de lealdade que lhe deviam e pensassem melhor sobre o assunto em questão (…) E embora isso fosse difícil, eles concordaram em emprestar cinco mil libras ao Rei Nosso Senhor, o que foi por este aceito. Doze pessoas foram escolhidas e juradas para procurar todos os homens das cidades mencionadas (…) e todos segundo sua condição para levantar a dita soma de cinco mil libras e emprestá-la ao Rei Nosso Senhor. (…)

(Memórias de Londres e da vida londrina, século XIV)

11. Texto de um importante banqueiro ao imperador da Espanha e do Sacro Império Romano-Germânico, Carlos V

(…) Além disso, adiantamos aos emissários de Vossa Majestade uma grande quantia, parte da qual nós mesmos tivemos que levantar, através de amigos. É bem sabido que Vossa Majestade Imperial não teria obtido a coroa do Império Romano sem a minha ajuda, e posso prova-lo com os documentos que me foram entregues pelas próprias mãos dos enviados de Vossa Majestade. (…)

(Jacob Fugger, Carta a Carlos V, século XVI)

12. A mudança da posição da Igreja em relação a usura

(…) Se se pratica o comércio com vistas à utilidade pública, se se deseja que as coisas necessárias à existência não faltem ao país, o lucro (…) é apenas (…) remuneração do trabalho (…) Nada impede portanto de praticá-o para um fim necessário ou honesto. (…)

(Santo Tomás de Aquino, Suma teológica, 1272)

13. A idéia que os chineses tinham do mundo no século XVI e XVII

(…) com o título de descrição universal do mundo inteiro (…) reduziam a extensão da Terra às suas quinze províncias e, no mar pintado em volta, juntavam algumas pequenas ilhas com nomes de reinos dos quais eles haviam alguma vez ouvido falar. Todos esses reinos reunidos dificilmente igualavam em tamanho a menor província do Império chinês, o que fez com que, sem hesitação, ornassem seu império com o nome de todo o universo, chamando- o ‘Thien hia’ ou, como diríeis: ‘tudo o que está sob o céu’. Quando, portanto, eles ouviram e viram que a China estava confinada a um canto do Oriente, admiraram como coisa para eles inaudita essa descrição tão contrastante, em sua opinião, do universo. Desejaram poder ler a escritura, para julgar a verdade da mesma. (…)

(Matteo Ricci, História da expedição cristã ao reino da China, 1582-1610)

14. O imaginário (sereias)

(…) Entre os moluscos há um peixe com rosto e seios de mulher, do tamanho de um novilho, cuja carne tem gosto de vaca. Dizem que seus dentes são um bom remédio para disenteria.(…)

(Ganeau, Tratado da história natural, século XVII)

15. A importância dos novos instrumentos

(…) Dois anos depois (1462) o senhor rei Afonso armou uma grande caravela, onde me mandou por capitão (…) E eu tinha um quadrante, quando fui a estes países, e escrevi na tábua do quadrante a altura do pólo ártico, e achei aí melhor que na carta (mapa). (…)

(Diogo Gomes, Relação do descobrimento da Guiné e da ilhas, 1462)

16. O reino de Preste João (paraíso terrestre)

(…) Ora, devendo fazer menção ao Império do Preste João, que é o maior e mais rico Príncipe que se encontra em toda a África, digamos, resumidamente, que (…) pode ter o Império deste Rei Cristão 4.000 milhas. A cidade principal (…) chama-se Babelmaleque; e o Estado é rico e abundante de ouro e prata e de pedras preciosas e de toda sorte de metal. A gente é de desvairadas cores, branca, preta e intermediária, de boa estatura e de bom parecer. Os cortesãos e Senhores trajam-se bem de panos de seda com ouro e pedraria (…) Na festa de Nossa Senhora de Agosto, ajuntam-se todos os Reis e Senhores principais (…) Celebra-se uma procissão muito solene; e, da Igreja, de onde sai, levam uma imagem da Virgem Mãe de Deus, grande como uma pessoa comum, toda de ouro; a qual imagem tem por olhos dois riquíssimos e grandes rubis; e todo o mais corpo da estátua é coberto e arraiado de pedraria e de lavores diversos; e é conduzida num andor de ouro (…)

Nesta procissão, sai em público o Preste João, num carro de ouro ou em cima de um elefante (…) todo adornado de jóias e de coisas preciosas e raras, vestido de tela de ouro; e é tanta a multidão de gente que concorre a ver aquela imagem, que muitos morrem sufocados pelo aperto. (…)

(Filippo Pigafetta, humanista italiano, e Duarte Lopes, comerciante português,
Relação do reino de Congo e das terras circunvizinhas, 1591)

17. O imaginário (monstros no oceano)

(…) Tinha somente a aparência de homem na cara, na cabeça não tinha cabelos mas uma armação, como de carneiro, revirada com duas voltas; as orelhas eram maiores que as de um burro, a cor era parda, o nariz com quatro ventas, um só olho no meio da testa, a boca rasgada de orelha a orelha e duas ordens de dentes, as mãos como de bugio, os pés como de boi e o corpo coberto de escamas, mais duras que conchas. (…)

(Relato do português Francisco Correia a respeito do naufrágio da nau
Nossa Senhora da Candelária, na ilha Incógnita, século XVII)

Extraído de

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2 Respostas para “Aos alunos do 3º termo de História e Geografia

  1. blza professor!!

    Tem uns Documentos históricos, que são moleza pra interpretar, mais tem uns que vai um tempinho para desvendar o contexto historico.

    ate+++

    bruno silva 3º termo de historia

  2. Oi profeessor tudo bem …
    Muito interessante esses documentos histórico,tava um pouco dificil de interpretar + depois q o professor nos ajudou a entender os documentos em sala de aula,agora ficou melhor ainda …muito0 bom!!
    t+ abraço

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