Texto para a turma do 6º termo de História

ALGUNS CRITÉRIOS DE ANÁLISE NO TRABALHO COM UM FILME/DOCUMENTÁRIO

1. Aspectos Gerais / Formato:

  • O programa consegue criar expectativas, despertar o interesse do espectador?
  • Em que se baseia o interesse do programa?

No tema abordado?

Na maneira como é tratado?

  • O vídeo foi produzido para fins educativos?

 

2. Mensagem:

  • O tema é apropriado à linguagem audiovisual?

O que a possibilidade de visualização acrescenta?

O tema pode ser desenvolvido de forma mais eficaz por intermédio de outras linguagens?

Que outros tratamentos e enfoques podem ou devem ser acrescentados?

  • Que conteúdos curriculares das diferentes disciplinas escolares são abordados?

Os conteúdos são adequados ao currículo oficial? E ao currículo da escola?

Os conteúdos são adequados ao nível de compreensão dos alunos?

A metodologia utilizada para apresentação dos conteúdos está em consonância com um enfoque escolar?

Os conteúdos correspondem a uma unidade completa, a alguns tópicos, ou a um conjunto de unidades temáticas?

  • A abordagem do tema é atual ou já existem novos enfoques ou tendências?

O tratamento dado aos conteúdos está atualizado?

Há outros enfoques, tendências, abordagens ou descobertas científicas que precisam ser exploradas? Quais? De que forma?

  • O programa possibilita o trabalho interdisciplinar? Com quais disciplinas?

O tema e os conteúdos são adequados ao tratamento de temas transversais como sexualidade, ética, meio ambiente, etc?

A forma de tratar os conteúdos é adequada ao processo de ensino e aprendizagem da escola?

  • Todos os aspectos relacionados com o tema e/ou conteúdos foram abordados? Com qual profundidade? Com qual abrangência?

A quantidade de informação é: insuficiente / superficial; suficiente / adequada; demasiada / complexa?

Que complementos e aprofundamentos são necessários?

 

3. Linguagem:

  • Qual o tipo de linguagem empregada?

Valoriza mais as imagens ou a linguagem verbal?

Valoriza a dimensão emotiva, a imaginação e a sensibilidade?

Comunica idéias por meio das emoções? Quais? Como?

  • A obra utiliza adequadamente os recursos da linguagem audiovisual ou é apenas um discurso verbal ilustrado por imagens e acrescido de uma música de fundo?
  • Utiliza efeitos sonoros para valorizar a mensagem?
  • Utiliza efeitos visuais (gráficos, animações, legendas, etc.) para reforçar a mensagem?
  • Os elementos da linguagem audiovisual (imagem, efeitos visuais, música, efeitos sonoros e a palavra falada) são dosados e se complementam de forma eficaz evitando a monotonia e o cansaço?
  • A estética das imagens atrai e é compreendida com facilidade, ou há subjetividades de difícil interpretação?
  • A linguagem verbal é coloquial, regional, formal ou científica?

Está ao alcance da faixa etária e do contexto social dos alunos?

Será necessário um trabalho prévio com alguns termos usados para que a obra possa ser compreendida, ou a exploração do vocabulário pode ser feita após a exibição sem perdas para a compreensão da mensagem?

 

4. Concepções e ambientação:

  • Quais preocupações e práticas sociais podem ser identificadas no vídeo?

Há relação com o cotidiano?

As práticas sociais apresentadas são do conhecimento dos alunos ou devem ser exploradas? De que forma?

As práticas sociais são enfocadas de forma preconceituosa? Como?

  • Há personagens?

Se houver, que relações interpessoais são apresentadas? (relações de parentesco, relações profissionais, relações de amizade, relações de amor e afeto, etc.)

De que forma estas relações são tratadas?

Há preconceito? De que tipo?

  • O programa explora apenas imagens de estúdio ou de animação ou apresenta imagens externas?

Se há externas, em que lugares se passam as cenas?

Como este ambiente é apresentado?

Os ambientes e lugares apresentados são do conhecimento dos alunos ou devem ser explorados? De que forma?

  • Como são tratadas as questões acerca das atitudes e dos valores sociais ?

 

5. Questões para aproveitamento pedagógico:

  • Qual a função básica do vídeo: informar, motivar, ilustrar, sensibilizar, fixar conteúdos, facilitar a compreensão, aplicar conteúdos em situações variadas, reforçar conteúdos, etc?
  • O vídeo foi concebido didaticamente?

Há clareza e precisão no tratamento da mensagem (tema / conteúdo)?

Há erros conceituais?

Os assuntos são encadeados com nível crescente de dificuldade?

  • O vídeo possibilita ou suscita a comunicação e um trabalho posterior à exibição?

Sugere, de alguma forma, a ampliação da informação por outros meios?

Estimula a curiosidade, a pesquisa, a discussão, a polêmica?

  • A duração do vídeo permite que sejam planejadas as atividades complementares necessárias a uma verdadeira compreensão e exploração do tema / conteúdos?

A duração é adequada ao tema e à idade dos alunos?

A duração de cada parte é adequada ao conjunto da obra?

  • O vídeo seria mais bem aproveitado se trabalhado em partes? Por quê?

Há pontos de corte para se trabalhar o vídeo por partes? Quantos? Quais? Em que tempos da fita?

  • Valoriza o conhecimento prévio dos alunos? A cultura popular?

O espectador participa ou não da construção do conhecimento?

  • No caso de vídeos didáticos ou científicos que procedimentos são usados?

Que atitudes são valorizadas?

Como o conhecimento é concebido?

O programa valoriza a exposição, a discussão, a prática/aplicação ou a crítica ?

Como o ato de estudar é concebido e estimulado?

  • Caso o programa seja de comunicação social – dirigido ao público em geral – como poderá ser utilizado para fins educativos?

 

Extraído de http://www.unirio.br/morpheusonline/Numero01-2000/monicamandarino.htm

Texto para a turma do 3º termo: História e Geografia

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO – Paulo Freire

 

“O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros.

(…) É nesse sentido também que a dialogicidade verdadeira, em que os sujeitos dialógicos aprendem e crescem na diferença, sobretudo, no respeito a ela, é a forma de estar sendo coerentemente exigida por seres que, inacabados, assumindo-se como tais, se tornam radicalmente éticos. É preciso deixar claro que a transgressão da eticidade jamais pode ser vista como virtude, mas como ruptura com a decência. O que quero dizer é o seguinte: que alguém se torne machista, racista, classista, sei lá o quê, mas se assuma como transgressor da natureza humana. Não me venha com justificativas genéticas, sociológicas ou históricas ou filosóficas para explicar a superioridade da branquitude sobre a negritude, dos homens sobre as mulheres, dos patrões sobre os empregados. Qualquer discriminação é imoral e lutar contra ela é um dever por mais que se reconheça a força dos condicionamentos a enfrentar.”
(Pedagogia da Autonomia, 1996).

 

Escrito durante o exílio, quando morava no Chile, em 1968, o livro Pedagogia do Oprimido é considerado a obra mais completa e importante de Paulo Freire. Traduzida em mais de 20 idiomas, tornou-se referência para o entendimento da prática de uma pedagogia libertadora e progressista. Nela, estão os temas que sustentam a concepção freireana: conscientização, revolução, diálogo, cooperação, entre outras.
Moacir Gadotti, no livro Convite à Leitura de Paulo Freire, afirma que na Pedagogia do Oprimido a ótica de classe do autor “aparece mais nitidamente: a pedagogia burguesa do colonizador seria a pedagogia bancária. A consciência do oprimido encontra-se imersa no mundo preparado pelo opressor; daí existir uma dualidade que envolve a consciência do oprimido: de um lado, essa aderência ao opressor, essa hospedagem da consciência do dominador (seus valores, sua ideologia, seus interesses, e o medo de ser livre) e, de outro, o desejo e a necessidade de libertar-se. Trava-se, assim, no oprimido, uma luta interna que precisa deixar de ser individual para se transformar em luta coletiva”.

“A pedagogia tem de ser forjada com ele (o oprimido) e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade. Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objeto da reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação, em que esta pedagogia se fará e refará.”
(FREIRE, Paulo. Pedadgogia do Oprimido, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.)

Quando Freire fala em pedagogia, ele não está falando apenas das relações que se estabelecem na escola e na sala de aula. A sua pedagogia está relacionada a todo esse contexto de opressão social e de falta de democracia que estamos apontando. Toda educação é política, assim como toda política é educativa. Não existe neutralidade. Portanto, o seu método dialógico, problematizador, não é apenas um método ou uma teoria pedagógica, mas uma práxis que propõe a libertação da opressão que predomina na nossa sociedade:

“Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão.”
(FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

No conceito de pedagogia para a libertação, Paulo Freire caracteriza duas concepções opostas de educação: a concepção “bancária” e a concepção “problematizadora”. Na primeira, o educador sabe tudo e o educando pouco sabe ou nada sabe; o saber é uma doação dos que se julgam sábios aos que nada sabem, que se tornam, afinal meros objetos. “A educação torna-se um ato de depositar, como nos bancos.”
Já na educação problematizadora, educador e educando integram um mesmo processo, estabelecendo-se uma relação dialógico-dialética, na qualambos aprendem juntos. Aqui prevalece o diálogo, a troca de informações, educador e educando interagem saberes, produzem conhecimento.
Freire distingue a teoria antidialógica (conquista, dominação, manipulação e invasão cultural) à teoria dialógica (colaboração, união, organização e síntese cultural), para destacar que o educador revolucionário não pode usar os mesmos métodos e procedimentos antidialógicos de que se servem os “opressores”.

“(…) Assim como o opressor, para oprimir, precisa de uma teoria da ação opressora, os oprimidos, para libertar-se, necessitam igualmente de uma teoria de sua ação. O opressor elabora a teoria de sua ação, necessariamente sem o povo, pois que é contra ele. O povo, por sua vez, enquanto esmagado e oprimido, introjetando o opressor, não pode, sozinho, constituir a teoria de sua ação libertadora. Somente no encontro com a liderança revolucionária, na comunhão de ambos, na práxis de ambos, é que esta teoria se faz e refaz.”
(FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.)