Turma: 3º termo – Disciplina: História da América

Atividade 2 – Texto: As mesmas praias, o mesmo mar

Se Cristóvão Colombo tivesse o poder de voltar às terras por ele descobertas nas Antilhas, não encontraria mudanças de surpreender. Vejamos o caso de San Salvador, apontada pela tripulação da caravela Pinta com o grito triunfal de “Terra à vista!”. Houve transformações na ilha, mas nem tanto. Ali viviam centenas de índios Arawak, que os brancos se encarregaram de exterminar com rapidez. Em seu lugar hoje existem pouco mais de 700 habitantes, que falam inglês ou crioulo. Os antigos deuses desapareceram: a população agora é quase toda protestante. E o relevo? Lá se encontram os mesmos recifes de coral, as mesmas embarcações que se fazem ao largo para a pesca, como há 500 anos. E os turistas, exibindo ouro nas jóias, fazem pensar que El Salvador é o anelado Extremo Oriente, o lendário Cipango (o antigo Japão). No Haiti, situado na ilha Hispaniola e sua segunda escala depois de avistar Cuba, Colombo teria enormes surpresas. A população nativa, que ele considerava “muito apta para o trabalho”, mudou: agora é um amálgama de negros e mulatos que falam o calão francês, vivem na miséria e na instabilidade política. Guadalupe foi a primeira escala de Colombo em sua segunda viagem ao Novo Mundo. Ali também – a exemplo do ocorrido no Haiti – a cultura espanhola não medrou. Hoje, a ilha é uma província da França – a exemplo de Martinica, de quem Paris parece ter-se esquecido, a julgar por sua decadência. Um destino diferente teve Porto Rico, que se deixou conquistar pela civilização encarnada por Colombo: seu idioma oficial é o espanhol, mas seus habitantes são cidadãos norte-americanos, sem contudo terem direito a voto nas eleições dos EUA. (Porto Rico não é um país: chama-se Estado Livre Associado e tem eleições próprias). Parte dos porto-riquenhos sonha com o dia em que sua pátria se tornará o 51º estado norte-americano. Na metade Sul da ilha Hispaniola, tendo o Haiti (de colonização francesa) como vizinho, fica a República Dominicana, na qual Colombo fundou Isabella. Hoje, como se sentiria o Descobridor ao ver a cidade reduzida a uma pilha de escombros? A Jamaica o deixaria estonteado: sua população fala inglês e dialeto crioulo, compõe-se principalmente de descendentes de escravos, mas está permeada por descendentes de asiáticos. Em sua terceira viagem, Colombo descobriu Trinidad, que hoje não seria propriamente um deleite para alguém que enfrentava os perigos em nome da fé cristã, entre outros motivos. Ali, os credos se distribuem mais ou menos uniformemente entre católicos, protestantes e hindus. Razões de júbilo: o analfabetismo em Trinidad fica abaixo dos 5%, a mortalidade infantil é uma das menores da América Central e a expectativa de vida fica em torno dos 70 anos. Em 1502, Colombo chegou à América Central (mais precisamente: Honduras), logo após debelar um motim de sua tripulação. O mau presságio se confirmou: hoje, a região é um barril de pólvora político-econômico (veja-se a instabilidade da Nicarágua, El Salvador, Panamá). Depois o Almirante desembarcou no Panamá, que pensou ser “a província de Mango, perto de Catai”. Açulada por interesses norte-americanos, a província do Panamá (pertencente à Colômbia) um dia se tornou independente. Depois, foi rachada ao meio pelo Canal, que por estranha ironia aproximou tanto o Ocidente do Oriente. E que – se Colombo vivo fosse – lhe serviria para ir além, através do Pacífico, em busca de novos mundos.  

(Roberto Benavides publicou estes artigos no Caderno de Sábado do Jornal da Tarde/O Estado de São Paulo, em 10 de outubro de 1992.)

Texto publicado em http://www.novomilenio.inf.br/festas/americac.htm.

Um blog!!! Com qual intuito?

Sabe-se que a divagação, o entendimento do tempo histórico, do espaço geográfico e da conjuntura das idéias é uma característica que todo humanidade deveria incorporar. Todavia, sabe-se também que nesse início do século XXI, a reflexão vem perdendo espaço para o imediatismo, deixando de lado a verticalização e a contextualização dos grandes conceitos.

Partindo desse preceito, a idéia de criar esse blog se concretizou da necessidade de revelar aos meus alunos uma ferramenta indispensável ao professor do século XXI: a internet como mecanismo de pesquisa, como instrumento de trabalho, como meio de comunicação e como algo diretamente presente no processo ensino-aprendizagem. 

Ao longo dos posts pretendo quebrar um paradigma, revelando que o professor não deve ser mais entendido como o indivíduo que concentra em si o conteúdo e o saber. Considero que o novo papel do professor é se tornar um facilitador de aprendizado, determinando as diretrizes que os alunos devem seguir. Pretendo assim, não mostrar o caminho, mas sim oferecer opções, sabendo que serão as atitudes dos meus alunos é que vão acabar determinando suas escolhas.    

Quer compartilhar, refletir, pensar e questionar seus conhecimentos? Junte-se a nós… é só historicizar!!!!!